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Brasil registra até 150 milhões de raios por ano, aponta Inpe

Calor, umidade e localização tropical favorecem tempestades; especialistas recomendam buscar abrigo ao primeiro trovão.

Brasil registra até 150 milhões de raios por ano, aponta Inpe
Foto: Folhapress

Uma combinação de calor, umidade e localização predominantemente tropical faz do Brasil um dos três países com maior incidência de raios no mundo. República Democrática do Congo e Estados Unidos também aparecem entre os países com maior ocorrência, mas as diferentes técnicas de monitoramento impedem a definição de um líder único nesse ranking.

Na última década, o país registrou cerca de 100 a 150 milhões de raios por ano, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No ano passado, foram 141 milhões. A média pode superar 200 milhões de descargas elétricas por ano até 2100 se o aquecimento do planeta continuar no ritmo atual.

Como os raios se formam

As descargas surgem em nuvens de tempestade. Colisões entre partículas de gelo separam as cargas elétricas dentro dessas nuvens. Quando a diferença entre as cargas positivas e negativas fica muito grande, a eletricidade atravessa o ar, produzindo o raio e o clarão do relâmpago.

A descarga pode ocorrer dentro da mesma nuvem, entre nuvens ou entre uma nuvem e o chão. O processo aquece rapidamente o ar ao redor, que se expande e produz a onda sonora conhecida como trovão.

O pesquisador Kleber Naccarato, do Inpe, afirma que séries históricas dos últimos 20 ou 30 anos mostram aumento na incidência de raios no país, associado ao crescimento do número de tempestades. Ainda não há estudos definitivos sobre a relação entre mudança climática e aumento de raios, mas existem indicativos dessa conexão.

Naccarato relaciona o aquecimento do ambiente à maior formação de tempestades. Desmatamento, poluição atmosférica e crescimento urbano e populacional também podem elevar a incidência de tempestades em determinadas situações, ao alterar a temperatura, a umidade e a circulação do ar.

Riscos e mortes

Tempestades podem provocar ventos fortes, chuvas intensas e raios. As descargas podem interromper o fornecimento de energia ao atingir redes de distribuição e iniciar queimadas em áreas mais secas, especialmente no Cerrado. Em regiões montanhosas, também podem contribuir para o deslocamento de rochas ou solos instáveis, embora seja difícil medir qual parcela dos prejuízos de uma tempestade decorre especificamente dos raios.

Segundo o Inpe, a chance geral de uma pessoa ser atingida por uma descarga elétrica é de uma em um milhão. O risco aumenta conforme a exposição, principalmente em áreas abertas, como campos e praias. Uma descarga direta pode provocar parada cardiorrespiratória, queimaduras e lesões em órgãos internos.

A maior parte das mortes e dos ferimentos ocorre por efeitos indiretos. Nesses casos, o raio atinge uma área próxima, mas a corrente se espalha pelo solo. Incêndios e quedas de linhas de energia provocados por descargas também podem atingir pessoas.

Um relatório do Inpe divulgado em 2020, elaborado com base em levantamento do Grupo de Eletricidade Atmosférica, registrou 2.194 mortes por raios entre 2000 e 2019. Homens representaram 82% das vítimas, e adultos de 20 a 29 anos formaram a faixa etária mais comum, com 24% dos casos.

A área rural concentrou 26% das mortes. Dentro de casa, ocorreram 21% dos óbitos, inclusive em situações envolvendo telefone ou aparelhos conectados à rede elétrica. Água ou locais próximos responderam por 9% das mortes. A maioria desses casos ocorreu na faixa de areia, no calçadão ou na beira de rio, enquanto 27% envolveram pessoas que pescavam.

Os óbitos ocorreram principalmente no verão, com 43% dos registros, seguido pela primavera, com 33%.

Os dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam 14 mortes por raio até agosto deste ano. Em 2025, foram 28; em 2024, 33. Os atendimentos por acidentes provocados por raios chegaram a 63 neste ano, ante 16 em 2025 e 42 em 2024. O ministério ressalva que o número representa atendimentos, e não necessariamente pessoas, porque uma mesma pessoa pode ser atendida mais de uma vez pela mesma condição.

Sobrevivente de descarga em Santa Catarina

Em dezembro de 1997, a empresária Gisely Bolanho viajou de São Paulo para Santa Catarina com o namorado e um casal de amigos. O grupo pretendia surfar em Garopaba e comemorar a virada de ano.

Durante uma tarde na praia, o tempo mudou enquanto eles estavam na areia. Gisely, que tinha 23 anos, foi atingida por um raio junto do namorado, Cristian Duran, e da amiga Aparecida Edileusa. Duran, de 27 anos, e Aparecida, de 34, morreram. O quarto integrante estava distante no momento da descarga e não se feriu.

Gisely foi levada ao Instituto Médico Legal e considerada morta, mas recuperou a consciência no hospital. Depois de passar por exames, recebeu alta dias mais tarde. Hoje, aos 52 anos, afirma que as principais sequelas são dores ósseas e calos ósseos no corpo.

Uma das mortes mais recentes mencionadas no país foi a de Edinara Gonçalves Areze, de 39 anos, atingida por uma descarga na faixa de areia da praia da Pinheira, em Palhoça, em 28 de agosto.

Como reduzir a exposição

A orientação dos especialistas é procurar abrigo logo nos primeiros sinais de tempestade. Quem escuta um trovão em local aberto já está exposto e deve deixar a área. Também é recomendado acompanhar os alertas e evitar rios, mar e outros locais abertos durante esses eventos.

Quiosques de palha e barracas de lona não oferecem proteção adequada. Os locais mais seguros são construções fechadas de alvenaria e veículos fechados, como carros e ônibus. A recomendação é permanecer nesses espaços até que os trovões parem.

Para-raios ajudam a proteger estruturas, principalmente as mais altas. Mesmo sem o equipamento, casas e prédios têm estruturas metálicas internas que ajudam a dissipar a corrente elétrica e oferecem maior proteção às pessoas.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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