Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,13 · Euro R$ 5,95 · Ibovespa 185.147 +0,00%
A economia explicada todos os dias
Brasil

Família de Lito detalha autorização para importar medicamento experimental

Mila Seidl afirma que pedido seguiu o uso compassivo e que pretende orientar famílias sobre o acesso a tratamentos experimentais.

Família de Lito detalha autorização para importar medicamento experimental
Foto: Reprodução

Mila Seidl afirmou que a autorização para importar o ALN-6457, medicamento experimental contra a doença de Creutzfeldt-Jakob, foi obtida pela própria família de Lito Sousa com apoio dos médicos que acompanham o influenciador. Ela negou que autoridades ou empresários tenham interferido no processo e disse que pretende explicar o procedimento a outras famílias.

O produto não tem registro comercial nem representante legal no Brasil. Também permanece em estágio pré-clínico para o tratamento de doenças priônicas, sem estudos formalmente iniciados em seres humanos. Por isso, a importação foi autorizada de forma excepcional, dentro do mecanismo de uso compassivo.

Como o pedido foi feito

O uso compassivo permite o acesso a medicamentos experimentais por pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas. De acordo com Mila, a família reuniu exames, documentos científicos e informações fornecidas pela farmacêutica para fundamentar a solicitação.

O pedido foi formalizado pelo Einstein Hospital Israelita, responsável pelo acompanhamento de Lito, depois que ele foi aceito pela farmacêutica em um programa de uso compassivo. Antes disso, a família tentou incluí-lo em um estudo experimental, mas recebeu uma resposta negativa porque não havia mais vagas disponíveis.

Mila contou que, após procurar outra farmacêutica, participou de uma reunião para apresentar o caso. A empresa permitiu o acesso à substância por meio do uso compassivo. Em seguida, foram solicitadas autorizações nos Estados Unidos e no Brasil, em um processo que envolveu a farmacêutica, o hospital, a Anvisa, o Ministério da Saúde e a FDA, agência reguladora norte-americana.

“Isso não é uma regalia nossa. É um direito de qualquer pessoa que está numa situação semelhante”, afirmou Mila.

Ela também disse que não houve uso de recursos públicos nem financiamento de terceiros até o momento. A esposa de Lito contestou publicações que atribuíam a obtenção do medicamento a um ministro, a empresários ou à Anvisa.

Informações para outras famílias

Mila afirmou que os órgãos envolvidos reconheceram a urgência do caso e aceleraram a análise. Mesmo assim, relatou que a tramitação foi angustiante diante da rápida evolução da doença. Segundo ela, o fluxo mais rápido levou cerca de uma semana.

A esposa de Lito pretende divulgar os documentos necessários, os órgãos envolvidos e as etapas do pedido. Para ela, as normas preveem o uso compassivo, mas as informações sobre como iniciar o processo não são claras. Ela também disse que o caso pode contribuir para a criação de procedimentos mais rápidos para pacientes em situações semelhantes.

Segundo a Anvisa, a análise levou em conta o caráter rápido e irreversível da doença, a falta de alternativas terapêuticas e a ausência de patrocinador ou representante responsável pelo produto no Brasil. Ainda não foram divulgados detalhes sobre a administração do medicamento nem sobre o início do tratamento. Ao anunciar a autorização, Mila disse que a expectativa era que o produto chegasse ao Brasil dentro de sete a nove dias.

Condição de saúde de Lito

A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade neurológica rara, progressiva e sem tratamento aprovado capaz de reverter ou interromper sua evolução. Ela está associada ao acúmulo anormal de uma proteína chamada príon no cérebro, com destruição de neurônios. Entre as possíveis manifestações estão falhas de memória, mudanças de comportamento, tremores e dificuldades de movimentação.

Lito tem 59 anos e deixou o Einstein na terça-feira (1º), depois de mais de 20 dias de internação. Ele passou a receber cuidados paliativos em casa, com acompanhamento de enfermeiros e de uma equipe multidisciplinar. A família afirma que essa assistência não significa que ele esteja em fase terminal e que o objetivo é controlar sintomas, reduzir o sofrimento e preservar a qualidade de vida enquanto busca alternativas de tratamento.

Dados do Ministério da Saúde registram 547 casos confirmados da doença no Brasil entre 2005 e 2021. Conforme a literatura reunida pela pasta, aproximadamente 90% dos pacientes morrem entre seis meses e um ano após o início dos sintomas, com sobrevida média de cinco meses.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.