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Alimentação ajuda a equilibrar bactérias da boca e proteger os dentes

Verduras, chá, alho, frutas vermelhas, queijos e alimentos fermentados podem favorecer a microbiota oral, enquanto açúcar alimenta bactérias associadas às cáries.

Alimentação ajuda a equilibrar bactérias da boca e proteger os dentes
Foto: Getty Images via BBC

A alimentação influencia diretamente a microbiota oral, comunidade formada por até 700 espécies de bactérias, além de vírus, fungos e outros micro-organismos. Esse conjunto participa da saúde dos dentes e pode estar relacionado a outras condições do organismo.

O açúcar favorece bactérias como a Streptococcus mutans, que vive na superfície dos dentes e transforma o açúcar em ácidos capazes de desgastar o esmalte. Esse processo pode levar a cáries, que afetam mais de 80% dos americanos quando se aproximam dos 35 anos de idade.

Por outro lado, micróbios como Veillonella, Actinomyces, algumas espécies de Streptococcus e Neisseria podem disputar espaço e alimento com bactérias nocivas. A presença de uma comunidade variada também é considerada importante: uma pesquisa associou menor diversidade de micróbios na boca à depressão.

Alimentos que favorecem a microbiota oral

Verduras como couve kale, espinafre, beterraba e rabanete contêm nitrato, usado como alimento por bactérias Neisseria. Esses micróbios transformam o nitrato em nitrito, que participa de processos relacionados à produção de ácido nítrico e à redução da pressão arterial.

Em um estudo, adultos idosos que consumiram suco de beterraba rico em nitrato duas vezes por dia, por duas semanas, apresentaram queda da pressão arterial.

O alho contém alicina, substância que ataca bactérias associadas a cáries e gengivite. Já os polifenóis presentes em plantas podem dificultar a ação de micróbios nocivos. Pesquisas citadas no estudo indicaram que os polifenóis do chá podem reduzir bactérias ligadas a cáries, gengivite e mau hálito.

Frutas vermelhas de coloração escura também são fontes de polifenóis. Apesar de conterem açúcar e ácidos, podem contribuir para a saúde da boca. O suco de cranberry foi associado à redução do crescimento da placa bacteriana e à inibição de bactérias ligadas a cáries e doenças periodontais. O mel também pode dificultar a formação de placa e combater bactérias causadoras de cáries.

Um pequeno estudo realizado na Itália acompanhou nove participantes que comeram queijo Grana Padano diariamente durante cinco dias. Ao final, foram observadas menores quantidades de S. mutans e maior presença de S. sanguinis, mais comum em ambientes bucais saudáveis. A mastigação do queijo aumenta a produção de saliva, que ajuda a retirar açúcar e atenuar os ácidos da boca.

Alimentos fermentados, como o kefir, também podem fornecer bactérias capazes de competir com micróbios nocivos. Uma análise associou o consumo da bebida à inibição de certos patógenos orais e à redução da produção do biofilme pegajoso.

O que limitar e os cuidados necessários

A recomendação é reduzir alimentos e bebidas com grandes quantidades de açúcar, além de carboidratos processados que se transformam facilmente em açúcar na boca. Entre os exemplos estão pão branco, bolachas, biscoitos, bolos e pretzels.

Para o professor de periodontologia Gaetano Isola, da Universidade de Catania, na Itália, não há um único alimento capaz de garantir a saúde oral. Um padrão alimentar com mais vegetais integrais, fibras e carboidratos complexos, e menos exposição frequente ao açúcar refinado, favorece um ecossistema oral estável.

Um estudo com participação de Isola observou que pessoas mais próximas de uma dieta mediterrânea — com frutas, legumes, verduras, grãos integrais e gorduras saudáveis — apresentaram tendência a ter gengivite mais leve. Pessoas que seguiram esse padrão com menos rigor tenderam a apresentar gengivite mais grave, especialmente quando consumiam carne vermelha com frequência.

A alimentação não substitui a higiene. Escovar os dentes e a língua reduz micróbios associados a doenças dentárias, enquanto o fio dental foi relacionado a concentrações menores de S. mutans. Também é importante manter a escovação regular para evitar a formação de bolsões entre dentes e gengiva, onde pode surgir a Porphyromonas gingivalis, associada à gengivite.

Os efeitos dos enxaguantes bucais comerciais sobre a microbiota ainda não são conhecidos. Produtos com clorexidina podem prejudicar o equilíbrio dos micróbios orais, embora sejam úteis por curtos períodos no tratamento de gengivite e de outras condições específicas.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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