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Frankmobile usa cães, vigilância e perícia digital contra roubo de celulares em SP

Operação rastreou aparelhos por dois anos e cruzou dados de ruas, computadores, empresas e movimentações financeiras.

Frankmobile usa cães, vigilância e perícia digital contra roubo de celulares em SP
Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

A Operação Frankmobile combinou cães farejadores, agentes de inteligência, câmeras de leitura de placas e perícia digital para desarticular a cadeia de roubo e furto de celulares em São Paulo. Deflagrada nesta quinta-feira (10), a ação foi descrita como a maior já realizada para enfrentar esse tipo de crime no estado.

A investigação identificou uma estrutura pulverizada na região central da capital. Depois de serem roubados ou furtados, os aparelhos eram distribuídos entre boxes, depósitos, hotéis, cortiços e apartamentos. Os celulares podiam ser revendidos inteiros ou desmontados em partes.

Cães ajudaram a localizar apartamentos

Na etapa de cumprimento das buscas, cães farejadores indicaram os cômodos que concentravam aparelhos em imóveis multifamiliares próximos à rua Guaianases. A estratégia permitiu evitar mandados coletivos para vasculhar prédios inteiros e direcionar as equipes a unidades específicas.

“As investigações foram montando um quebra-cabeça até chegar à operação”, afirmou o promotor de Justiça Luiz Fernando Bugiga, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público.

Atualmente, nove cães das raças pastor malinois e alemão são empregados na localização de dispositivos eletrônicos. Eles pertencem à Polícia Penal paulista e são treinados por profissionais da Secretaria da Administração Penitenciária para reconhecer odores dos componentes dos aparelhos. O primeiro cão desse grupo foi usado em 2010 e encontrou 13 celulares no anexo de progressão da Penitenciária de Ribeirão Preto.

Rastreamento de aparelhos e suspeitos

O caminho dos celulares foi investigado durante dois anos, em três frentes: as ruas, os computadores e as bases de dados públicas e financeiras. Agentes descaracterizados acompanharam estabelecimentos e identificaram mecanismos de vigilância usados pelos suspeitos, incluindo olheiros na rua Guaianases e nos corredores do Shopping Mundo Oriental.

Em um depósito na rua Hípias, os investigadores observaram a descarga de caixas com peças de celulares enquanto o imóvel permanecia fechado. Na rua dos Gusmões, o movimento de carregadores em um prédio residencial chamou atenção. Registros empresariais mostraram que um único andar, com 134 metros quadrados, reunia formalmente 24 empresas ligadas ao comércio de eletrônicos.

A investigação também usou sistemas automáticos de leitura de placas para reconstruir os deslocamentos de um empresário de Goiânia. O Ford EcoSport ligado ao suspeito foi registrado em dias consecutivos na região da rua Santa Ifigênia, o que ajudou a relacioná-lo ao comércio paulista.

Perícia em computadores e dados financeiros

As buscas da Operação Salus et Dignitas, em 2024, apreenderam notebooks, computadores e celulares. A análise avançou com o IPED, ferramenta forense que recuperou arquivos de log produzidos por programas usados para desbloquear e alterar aparelhos.

Os registros continham data, horário, modelo do celular e, em alguns casos, o IMEI, número único de identificação do dispositivo. Com isso, os investigadores confrontaram aparelhos manipulados nos computadores com registros de celulares roubados ou furtados.

O Gaeco ainda cruzou informações da Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo) e relatórios de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A comparação envolveu mercadorias, notas fiscais e movimentações de dinheiro.

Uma das inconsistências apontadas envolve uma empresa que teria vendido mais de 750 mil celulares sem notas fiscais de entrada correspondentes aos IMEIs. Também foram identificadas suspeitas de notas emitidas sem relação com operações reais. Em um dos mecanismos descritos, o emissor receberia uma comissão de 3% do valor documentado.

Com as apreensões e o desmonte da estrutura econômica do comércio ilegal, a expectativa dos investigadores é de redução nos roubos e furtos de celulares. O volume de materiais apreendidos, porém, ainda exigirá trabalho de análise.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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