SÃO PAULO — O mandado de prisão do empresário Alex Leandro Bispo dos Santos foi adulterado no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP) com credenciais vinculadas a uma juíza do Rio Grande do Sul. Após a mudança, o sistema passou a mostrar o nome e o CPF de outra pessoa, fazendo com que Alex não aparecesse como procurado em consultas policiais.
A principal hipótese da Justiça gaúcha é de uma ação hacker. A alteração teria ocorrido em 23 de agosto, usando o login e a senha de uma magistrada de Planalto. De acordo com a Justiça do Rio Grande do Sul, as credenciais teriam sido “hackeadas/roubadas” e também empregadas para modificar e assinar outros documentos de forma fraudulenta.
A adulteração foi identificada em 16 de setembro, quando o Ministério Público de São Paulo percebeu que a ordem de prisão não estava mais disponível no BNMP. O cadastro foi corrigido. O Ministério Público informou que ainda não identificou o responsável e considera Alex foragido. O caso foi enviado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que não comenta casos específicos.
Acusação e defesa
Alex, conhecido como Baianão ou “Escorpião do PCC”, responde pela acusação de matar a companheira, Maria Katiane Gomes da Silva, 25, em novembro do ano passado. A investigação afirma que a jovem caiu da sacada do apartamento do casal, no décimo andar de um prédio na Vila Andrade, zona sul de São Paulo. A polícia também afirma que ele integra o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A defesa nega tanto o homicídio quanto a ligação com a facção e sustenta que Maria cometeu suicídio. Em 6 de agosto deste ano, o juiz Antonio Carlos Pontes de Souza concedeu liberdade provisória ao empresário. O Ministério Público recorreu, e o desembargador Hermann Herschander restabeleceu a prisão em 10 de agosto, mencionando a “periculosidade” do acusado.
O advogado Eugênio Malavasi disse desconhecer a alteração no sistema e afirmou que Alex sabe da ordem de prisão. Segundo ele, o empresário aguarda o julgamento de recursos para decidir se vai se apresentar à Justiça.
Alex também foi citado nas investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Favela Conectada Serviço e Tecnologia, da qual ele era sócio, foi subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), da empresária Karina Ferreira da Gama, em contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar e operar pontos de internet sem fio em comunidades. Karina produz o filme. A polícia suspeita que parte dos recursos tenha sido destinada à obra. As empresas negam irregularidades.



