Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,13 · Euro R$ 5,95 · Ibovespa 185.147 +0,00%
A economia explicada todos os dias
Brasil

Instituto ligado a padre Júlio Lancellotti terá de substituir conselheiro preso em SP

Guilherme Martins foi detido após ser baleado em uma tentativa de roubo de moto na zona leste de São Paulo.

Instituto ligado a padre Júlio Lancellotti terá de substituir conselheiro preso em SP
Foto: Reprodução/Polícia Civil

O instituto Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia prepara uma nova assembleia para substituir Guilherme Martins no conselho fiscal. Ele foi eleito para o cargo dois meses antes de ser preso sob suspeita de participar de uma tentativa de latrocínio na zona leste de São Paulo.

Martins, 25, foi atingido por dois tiros durante a ocorrência e permanece preso preventivamente. O caso aconteceu na tarde do dia 22 de agosto, na avenida Aricanduva, na região de Itaquera.

A prisão preventiva, sem prazo definido para soltura, foi determinada depois que Martins recebeu atendimento médico. Ele teria sido baleado no ombro e na região do quadril, levado a um hospital e, depois, encaminhado para a prisão. O suspeito já havia sido condenado em outros dois processos por receptação de veículos roubados.

Tentativa de roubo

Conforme o boletim de ocorrência, Martins estava acompanhado de outras duas pessoas e teria tentado tomar a moto de um morador. O veículo usado pelo grupo havia sido roubado um dia antes. Um dos envolvidos estava armado.

A ação foi interrompida por um policial militar à paisana que presenciou o episódio. Eddy Vinycius Costa Santos teria disparado duas vezes contra o agente e morreu ao ser atingido. Os tiros também acertaram uma mulher que estava em um carro. Ela foi levada ao hospital e passa bem.

A decisão que manteve Martins preso classificou o caso como “crime gravíssimo e praticado com consequências sérias e altamente reprováveis”.

A advogada Mayra Ferrareto informou que a defesa não comentaria o mérito da acusação, a estratégia processual ou questões envolvendo terceiros e entidades, porque há um processo criminal em andamento.

Vínculo com o instituto

O instituto é ligado ao padre Júlio Lancellotti. Segundo Marcelo Augusto de Sousa e Silva, presidente da entidade, Martins atuava em pesquisas sobre direitos humanos na organização Ezequiel Ramin, coordenada pelo padre, e prestava serviço voluntário como motorista de Lancellotti.

Marcelo afirmou inicialmente desconhecer a indicação de Martins para o conselho fiscal. Depois de receber a documentação da assembleia, disse que convocaria uma nova reunião para substituí-lo.

Em nota, a advogada Isabeau Lobo Muniz afirmou que a responsabilidade penal, caso exista, é pessoal e deve ser apurada pelas autoridades, com preservação da presunção de inocência. Ela também disse que Martins foi assistido pelo instituto por cerca de um ano antes da eleição e que sua candidatura ocorreu em uma assembleia aberta aos associados.

A assembleia que elegeu Martins também alterou o estatuto, aprovou benefícios eventuais, reformou o conselho fiscal e criou quatro braços institucionais do Mercedário. Entre eles está o Centro Comunitário Santa Dulce dos Pobres, projeto anterior ao instituto que passou a ser vinculado à entidade. Lancellotti foi nomeado coordenador da unidade.

Auditoria e relação com a arquidiocese

O Mercedário foi criado em maio de 2025 e começou a funcionar em setembro, em um prédio na região da Mooca cedido pela Arquidiocese de São Paulo. Três meses depois, o arcebispado determinou uma auditoria financeira na paróquia do padre.

O levantamento da Baker Tilly apontou que o instituto não apresentou comprovação detalhada sobre a aplicação do R$ 1,3 milhão recebido da paróquia. A entidade afirmou que tem aprimorado sua governança.

O instituto recebeu mais de R$ 1 milhão da paróquia entre setembro e dezembro de 2025. Marcelo é réu por falsidade ideológica em uma ação no Pará e nega ter cometido o crime.

A auditoria também determinou que Lancellotti se afastasse das redes sociais. A última postagem dele ocorreu em 10 de dezembro.

A Arquidiocese de São Paulo disse desconhecer os fatos relacionados a Martins e afirmou que ele e Marcelo não têm vínculo com a estrutura eclesiástica. Segundo a instituição, o Mercedário é uma entidade privada, com administração própria e independente da arquidiocese.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.