SÃO PAULO — O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu nesta quinta-feira (24) alerta vermelho, de grande perigo, para a primeira onda de calor da primavera. O aviso começa no sábado (26) e permanece válido até quarta-feira (30), abrangendo áreas das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.
São Paulo será o único estado com previsão de temperaturas elevadas durante todo o período do alerta. De acordo com o instituto, a massa de ar quente avança do Paraguai e da Argentina em direção ao oceano e deixa o país pela costa paulista.
O fenômeno deve atingir integralmente Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Também estão na área de alerta o centro e o sul de Mato Grosso, incluindo Cuiabá; o centro, o sul e o oeste do Rio de Janeiro, com a capital; e o sul e o sudeste de Minas Gerais, em regiões próximas a Passos, Poços de Caldas, Varginha, Maria da Fé e Lavras.
Na cidade de São Paulo, a máxima média de setembro é de 25,2°C. A previsão indica 32°C no domingo (27) e 33°C na terça-feira (29). Cuiabá poderá registrar 41°C, enquanto Campo Grande pode chegar a 40°C. As máximas médias de setembro nessas duas cidades são de 35,6°C e 30,6°C, respectivamente.
Regiões com temperaturas elevadas
O Inmet também prevê calor acima da média no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no sul de Rondônia, no sul de Goiás, no centro e no sul do Pará e em outras partes de Mato Grosso. Essas áreas, porém, não foram incluídas no alerta porque a previsão não reúne ao mesmo tempo os níveis de intensidade e duração exigidos para caracterizar uma onda de calor. Em Brasília, os termômetros podem marcar 32°C no início da próxima semana.
Pelos critérios do Inmet, uma onda de calor ocorre quando a temperatura máxima diária fica pelo menos 5°C acima da máxima média mensal por cinco ou mais dias consecutivos.
O instituto prevê que o calor persistirá até quarta-feira, quando uma nova frente fria deverá alterar o padrão atmosférico e contribuir para a queda das temperaturas.
Fenômenos associados
O Inmet atribui o evento à combinação de um sistema de baixa pressão atmosférica e de uma circulação anticiclônica na alta troposfera, entre 5 km e 12 km acima da superfície, sobre áreas do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul.
A baixa pressão altera a circulação dos ventos e favorece o deslocamento de ar quente das áreas mais ao norte para o Sul do Brasil, o Paraguai e a Argentina. Já a circulação anticiclônica estimula a descida do ar. Durante esse movimento, o ar é comprimido e se aquece próximo à superfície, mantendo as temperaturas elevadas.
"Essa circulação favorece o movimento descendente do ar, conhecido como subsidência", explica o Inmet. Segundo o instituto, a configuração persistente de alta pressão é chamada de domo de calor, expressão usada para descrever a permanência de uma massa de ar quente sobre uma região e a dificuldade de renovação do ar.




