SÃO PAULO — A primeira onda de calor da primavera levou o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) a emitir um aviso vermelho, classificação mais alta da escala de perigo associada às temperaturas. O alerta é válido de sábado até quarta-feira (30/09) e alcança áreas de Mato Grosso, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de todo o Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
As temperaturas podem chegar a 41°C em Cuiabá (MT) neste domingo (27) e na segunda-feira (28). Em Campo Grande (MS), a máxima prevista é de 40°C na segunda. Na capital paulista, os termômetros podem atingir 32°C no domingo.
O que provoca o calor
O Inmet atribui a elevação das temperaturas à atuação conjunta de sistemas atmosféricos. Uma área de baixa pressão entre o norte da Argentina e o oeste do Paraguai deve se fortalecer nos próximos dias e favorecer o transporte de ar quente para o sul do Brasil, o Paraguai e a Argentina.
Também está prevista a formação de uma área de alta pressão em altitude sobre partes do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul. O sistema faz o ar descer até a superfície. Durante a descida, o ar é comprimido e se aquece, contribuindo para elevar e manter as temperaturas.
A configuração está associada ao chamado domo de calor, descrito como uma espécie de tampa atmosférica que mantém o ar quente concentrado por mais tempo e dificulta a entrada de massas de ar mais frescas.
A primavera começou oficialmente na última terça-feira (22) e vai até 21 de dezembro. O período é de transição entre as estações seca e chuvosa, principalmente na região central do Brasil. A umidade vinda da Amazônia tende a aumentar gradualmente e a alimentar as chuvas no Centro-Oeste, no Sudeste e em parte do centro-sul da Região Norte.
O Inmet prevê possibilidade de chuvas fortes, rajadas de vento, descargas atmosféricas e granizo na Região Sul. Já o norte da Região Nordeste, sobretudo o norte do Piauí e o noroeste do Ceará, deve registrar um período mais seco.
Projeções para o El Niño
Previsões do CPC/NOAA divulgadas no início de agosto indicam mais de 90% de probabilidade de que setembro, outubro e novembro tenham um El Niño muito forte. A expressão super El Niño é usada quando a temperatura da superfície do mar fica mais de 2°C acima da média histórica. Esse nível foi registrado em 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16. Os modelos atuais indicam que 2026 pode ser o quinto episódio dessa magnitude.
Um boletim do Inmet, do CPTEC/Inpe e da Funceme prevê chuva acima da média no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, além de partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Norte, Nordeste e áreas do Centro-Oeste e do Sudeste podem ter menos chuva que o normal.
As temperaturas tendem a ficar acima da média em quase todo o país, embora ainda possam ocorrer episódios de frio em setembro. Na Amazônia Legal e no Pantanal, o fenômeno pode atrasar as chuvas da primavera e prolongar a estiagem. A combinação de calor e pouca chuva aumenta o risco de queimadas porque mantém o solo e a vegetação secos por mais tempo.
Para Ana Ávila, pesquisadora do Cepagri, ligado à Unicamp, “Espera-se efeito forte” do El Niño no Brasil durante a primavera.



