SÃO PAULO — O ex-presidente José Sarney, 96, voltou a ser internado nesta quinta-feira (24), em São Paulo, para continuar o tratamento de uma pneumonia bacteriana. Segundo boletim médico do Hospital Sírio-Libanês, o quadro é estável. Ele está sob os cuidados de uma equipe coordenada pelo médico Roberto Kalil Filho e deverá passar por exames.
Sarney havia sido internado no último dia 13, em São Luís, e recebeu alta três dias depois.
A pneumonia é uma inflamação dos pulmões que pode ser provocada por bactérias, vírus ou fungos. Entre as bactérias associadas à doença estão Streptococcus pneumoniae, também chamado de pneumococo, Moraxella catarrhalis e Haemophilus influenzae. Legionella, Chlamydia e Mycoplasma são exemplos de bactérias intracelulares que também podem causar a infecção. Influenza, SARS-CoV-2 e VSR, o vírus sincicial respiratório, estão entre os vírus relacionados ao quadro.
Sintomas e sinais de gravidade
A infecção atinge os alvéolos, estruturas responsáveis pelas trocas de gases entre o ar e o sangue. A presença de secreções e células inflamatórias nesses espaços pode dificultar a chegada de oxigênio à circulação.
Os sintomas mais frequentes são febre, tosse, cansaço, mal-estar, dor no peito e falta de ar. Catarro, calafrios, perda de apetite, dor ao respirar e chiado no peito também podem ocorrer. Em alguns casos, o escarro apresenta sangue ou aspecto purulento, amarelado.
O quadro pode começar de forma discreta e se intensificar ao longo de alguns dias. Falta de ar que piora, inclusive em repouso, respiração acelerada, dificuldade para completar frases, confusão mental, sonolência excessiva, extremidades arroxeadas e queda da saturação de oxigênio são sinais de alerta.
A pneumonia tende a ser mais grave em idosos porque o sistema imunológico responde de maneira menos eficiente às infecções com o envelhecimento. Diabetes, doenças cardíacas ou pulmonares também podem reduzir a capacidade de enfrentar uma infecção respiratória, afirma o infectologista Daniel Paffili Prestes.
A queda na oxigenação é um dos principais indicadores de agravamento. Pressão baixa, frequência cardíaca elevada e piora do estado geral também podem sinalizar gravidade. Em alguns casos, o paciente precisa ser levado à UTI. A sepse de origem pulmonar é uma das possíveis complicações, e o choque séptico pode provocar queda importante da pressão e comprometimento da circulação.
Diagnóstico e tratamento
A investigação considera os sintomas, o exame físico e exames como radiografia ou tomografia computadorizada do tórax. Exames de sangue, análise do escarro e, em determinadas situações, coleta de material das vias respiratórias por broncoscopia podem ajudar a identificar o agente causador e diferenciar a pneumonia bacteriana de uma viral ou de outras causas.
Na suspeita ou confirmação de origem bacteriana, o tratamento envolve antibióticos prescritos por um médico. Esses medicamentos não combatem vírus e não devem ser usados por conta própria.
Quadros leves podem ser acompanhados fora do hospital, com remédios indicados pelo médico, ingestão de líquidos, descanso e monitoramento da evolução. Já a falta de oxigênio, a pressão baixa, alterações no nível de consciência e dificuldade intensa para respirar podem levar à necessidade de internação. Nas situações mais graves, são possíveis medidas como oferta de oxigênio, fisioterapia respiratória, ventilação mecânica e cuidados em UTI.
A vacinação é apontada pelos especialistas como uma das principais formas de prevenção. Também são recomendados o afastamento de pessoas com sintomas respiratórios, o uso de máscara nessas situações, a hidratação, a proteção contra a exposição ao cigarro e uma rotina adequada de sono.
A pneumonia não é necessariamente contagiosa. O que pode passar de uma pessoa para outra é o microrganismo responsável pela infecção. Em vírus respiratórios e algumas bactérias, a transmissão pode ocorrer por gotículas e partículas eliminadas ao tossir, espirrar ou falar, principalmente em locais fechados e pouco ventilados.
No estado de São Paulo, as hospitalizações por pneumonia subiram de 104,1 mil, em 2022, para 125,5 mil em 2024, alta de 20,54%. Em 2025, foram registradas 79,5 mil internações até agosto, número 20% maior que o verificado no mesmo período de 2024.



