SÃO PAULO — Kauan, de 5 anos, foi transferido para São Paulo para realizar uma cirurgia cardíaca após a mãe, Laise Sousa Carvalho, se acorrentar ao portão do Hospital Geral de Palmas (HGP). O menino deixou o hospital em uma UTI aérea na noite de sexta-feira (25), acompanhado da mãe.
A criança aguardava havia dois anos pelo procedimento e estava internada no HGP havia 15 dias. Kauan nasceu com uma malformação congênita no coração e tem apenas um ventrículo funcional. Ele precisa de cuidados especiais desde muito novo, como alimentação por sonda, não anda, não fala e apresenta dificuldades respiratórias.
A cirurgia prevista é a de Fontan, a terceira operação cardíaca de Kauan. O tratamento é feito em etapas, e o procedimento deve concluir essa fase. O menino já passou por duas cirurgias no Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto (SP).
“Tem dois anos que eu já vinha lutando, dois anos que saiu a decisão e o Estado não cumpriu”, disse Laise. Segundo ela, a transferência ocorreu depois de muita luta.
Decisões judiciais e protesto
O caso começou em 2024, quando Laise solicitou tratamento fora de domicílio. Em julho de 2025, a Justiça determinou que o Estado levasse a criança, por UTI aérea, ao Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, com direito a um acompanhante e custeio da estadia.
Depois, uma nova decisão judicial bloqueou o valor necessário para a cirurgia. A mãe se acorrentou ao portão do HGP em 9 de setembro e, no mesmo dia, foi para a frente do Ministério Público pedir a transferência.
O Ministério Público informou que Laise foi recebida pelas equipes de Assistência Social e de Atendimento ao Cidadão. O órgão também afirmou que atuaria no processo judicial sobre a assistência à saúde de Kauan, ajuizado pela Defensoria Pública.
A Secretaria Estadual de Saúde havia informado que a cirurgia de Fontan era contraindicada naquele momento, devido às condições clínicas do menino, ao comprometimento dos acessos vasculares e à fragilidade clínica. No sábado (12), o Estado comunicou que a transferência estava liberada e aguardava o aceite da unidade de destino, em São Paulo.



