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Inquérito apura morte de empresária após seis cirurgias faciais

Investigação reúne mais de 1.300 páginas e examina o atendimento prestado após o procedimento realizado em Goiânia.

Inquérito apura morte de empresária após seis cirurgias faciais

A Polícia Civil investiga se houve erro médico na morte da empresária Andréia Gaspar, de 51 anos, ocorrida algumas horas depois de uma cirurgia com seis procedimentos estéticos no rosto. O caso também envolve denúncias de outras pacientes que afirmam ter sofrido sequelas físicas e psicológicas após operações realizadas pelo otorrinolaringologista Lessandro Martins.

O inquérito, com mais de 1.300 páginas, analisa as etapas anteriores, durante e posteriores à cirurgia. A investigação considera a possibilidade de responsabilização do médico e do hospital por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Cirurgia e atendimento após o procedimento

Andréia morava na Espanha e decidiu fazer as cirurgias depois de encontrar Martins nas redes sociais. Segundo a irmã, Djianne da Silva, a empresária juntou dinheiro porque aquele procedimento era um sonho. A preparação e as consultas ocorreram de forma remota, por WhatsApp.

Ela chegou ao Brasil no dia 3 de agosto. Uma consulta presencial marcada antes da operação foi cancelada, e a irmã afirma que Andréia só conheceu o médico no hospital. No dia 11 de agosto, às 7h30 da manhã, a empresária deu entrada em uma unidade de saúde de Goiânia.

A operação durou sete horas e incluiu rejuvenescimento do rosto, tratamento do pescoço, redução da testa, correção do queixo, cirurgia nas pálpebras e preenchimento facial com gordura retirada por lipoaspiração. O pacote custou R$ 118 mil.

Às 17h40, Andréia foi levada diretamente para um quarto comum. O hospital não tinha leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A direção informou que pacientes são transferidos para outra unidade de maior complexidade quando há indicação.

Segundo a irmã, Andréia chegou ao quarto com o rosto coberto de sangue e a boca muito inchada. Por volta das 20h, o cirurgião avaliou a paciente e considerou normal a agitação apresentada. Cerca de meia hora depois, ela relatou dificuldade para respirar. A equipe de enfermagem teria informado que os sintomas eram esperados no pós-operatório.

A médica plantonista chegou ao quarto à 0h50 e declarou às autoridades que a paciente permanecia estável. Pouco depois das duas horas da manhã, Andréia sofreu uma parada cardiorrespiratória. Durante o atendimento, a irmã gravou um vídeo e buscou ajuda no grupo de WhatsApp da equipe médica.

Lessandro retornou ao hospital por volta de 2h20 da manhã, mas Andréia já havia morrido. O corpo foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) e, no dia 28 de agosto, exumado com acompanhamento do Ministério Público e da Polícia Civil.

Defesas e outras denúncias

O advogado de Lessandro, Pedro Fonseca, nega negligência ou omissão no atendimento. A defesa afirma que Andréia foi monitorada, que a saturação e a oxigenação foram consideradas adequadas e que não houve demora no socorro.

A investigação também examina as informações divulgadas pelo médico sobre sua experiência e sua relação com o Hospital das Clínicas da USP. A instituição esclareceu que ele atua como médico voluntário e que não existe, em sua estrutura, o cargo de professor mencionado nas plataformas digitais. O advogado afirmou que há reconhecimento profissional do médico em vários países.

Nove mulheres das regiões Sudeste, Norte e Centro-Oeste do Brasil, além de uma ex-paciente que atualmente mora nos Estados Unidos, relataram problemas após procedimentos com Lessandro. Uma delas, empregada doméstica, disse ter feito três cirurgias e calculou ter gasto cerca de R$ 50 mil. Ela afirma que ficou com deformações no rosto e que não voltou ao Nordeste por vergonha e medo do julgamento.

Outra paciente, Angela, relatou ter passado por intervenções no nariz, nas pálpebras, nas sobrancelhas e por preenchimento facial. Ela afirma que uma técnica diferente da combinada foi realizada e que, posteriormente, teve deformações, dores e coceira. Segundo Angela, o médico teria deixado de prestar assistência pós-operatória. A defesa diz que as queixas precisam ser analisadas individualmente.

O Conselho Regional de Medicina de Goiás informou que as denúncias contra Lessandro Martins estão sendo apuradas em sigilo. A família de Andréia busca esclarecer as circunstâncias da morte e responsabilizar os envolvidos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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