FORTALEZA — A investigação sobre a morte da universitária Isabelle Caracristi, de 22 anos, chegou à segunda semana com o namorado dela preso preventivamente e sob suspeita de indução ao suicídio e violência psicológica. A Polícia Civil ouviu mais de 10 testemunhas, analisou cerca de 700 vídeos e continua apurando o caso.
Isabelle foi encontrada morta por volta de 20h40 de 13 de setembro, na área comum de um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza. A Polícia Militar foi a primeira a chegar ao local, acionada pela Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops). Depois, equipes da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) e do 2º Distrito Policial realizaram os primeiros levantamentos.
Perícia e início da apuração
Os peritos examinaram o local onde o corpo foi encontrado, o apartamento em que Isabelle morava com João Munhoz Neto e o rooftop do prédio. Foram feitas coletas de impressões digitais e DNA, além de registros fotográficos. No apartamento, não foram identificados sinais de violência ou briga. Na cortina de vidro, a perícia encontrou apenas a digital de João, sem detectar a de Isabelle.
A hipótese de suicídio foi levantada inicialmente pelos peritos após a análise do rooftop. O corpo deu entrada na Pefoce já identificado, mas a família só tomou conhecimento da morte no dia seguinte, quando fez o reconhecimento na sede do órgão, em Fortaleza.
Cinco dias depois da morte, a mãe de Isabelle, a professora universitária Isorlanda Caracristi, publicou um vídeo nas redes sociais. Ela afirmou que não havia sido informada sobre a morte da filha e que não recebia respostas sobre a dinâmica e a causa do ocorrido. Em depoimento, João disse que o irmão tentou ligar para Isorlanda e que a cunhada enviou uma mensagem para ela.
Comportamento de João e prisão
A Polícia Civil afirmou que João não colaborou com a apuração. Conforme os investigadores, no dia seguinte à morte ele voltou ao condomínio para buscar o celular de Isabelle. O apartamento teria sido limpo e colocado à venda. João também teria impedido a entrada de familiares da jovem, deixado o local com malas e mudado de endereço.
O bacharel em Direito só compareceu à delegacia 8 dias após a morte, acompanhado de uma advogada. Ele prestou depoimento na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no bairro de Fátima, na noite de segunda-feira (21). João afirmou que foi sozinho a uma missa no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em 13 de setembro, e que deixou o celular no modo silencioso. Segundo o depoimento, ele só verificou o aparelho depois do horário em que Isabelle morreu.
Na terça-feira (22), João foi preso em um apartamento na Avenida Santos Dumont, na Aldeota, por força de um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça Estadual. Ele foi levado à Delegacia de Capturas e Polinter (Decap), no Centro. No dia seguinte, a Justiça manteve a prisão preventiva em audiência de custódia, e ele foi encaminhado a um presídio estadual.
A Polícia Civil encontrou indícios de violência psicológica e de comportamento controlador. Testemunhas relataram que João teria limitado a circulação de Isabelle e buscado afastá-la de outras pessoas. A polícia também informou que a falta de colaboração contribuiu para o pedido de prisão.
Testemunhas e diligências
A investigação inclui depoimentos, análise de imagens e extração de dados de celulares. Entre as pessoas ouvidas estão familiares de João, amigos do irmão dele, um casal que estava na piscina do condomínio quando Isabelle caiu e o ex-namorado da jovem.
Uma diarista que trabalhava na residência de João foi ouvida no 2º Distrito Policial no sábado (26). De acordo com a advogada Lídia Aguiar, a cliente esteve no imóvel no dia 15 de setembro, mas não sabia da morte, não limpou o apartamento e deixou o local ao tomar conhecimento do ocorrido.
Na quinta-feira (24), prestaram depoimento a mãe, o irmão e a cunhada de João, além de um casal de amigos do irmão dele e do casal que estava na piscina. Na sexta-feira (25), foi ouvido o ex-namorado de Isabelle. A Polícia Civil informou que outras linhas de investigação não foram totalmente descartadas e que o caso continua em aberto.



