O desaparecimento de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completou oito meses na sexta-feira (4), sem informações sobre o paradeiro dos irmãos. As crianças sumiram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a 250 km de São Luís.
A mãe, Clarice Cardoso, afirma que continua esperando reencontrar os filhos. “Mãe nenhuma desiste de filho, né? E eu não vou desistir dos meus filhos”, disse. Ela também afirmou manter a esperança de encontrar as crianças vivas.
As buscas envolveram forças de segurança, voluntários e representantes do Congresso Nacional. As equipes usaram helicópteros, drones, cães farejadores, mergulhadores e equipamentos de sonar em áreas de mata fechada, rios, lagos e nas margens do Rio Mearim. Cerca de 2 mil pessoas participaram das operações, mas nenhum vestígio dos irmãos foi encontrado.
Objetos e roupas chegaram a ser localizados durante as buscas, mas a família e a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informaram que os materiais não pertenciam às crianças.
Atuação das autoridades
A última visita de representantes do Congresso Nacional à comunidade ocorreu em maio. O grupo integrava a Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil, criada semanas antes. Os parlamentares foram ao Maranhão para ouvir Clarice e as autoridades responsáveis pela investigação.
Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informou que os trabalhos continuam. O órgão disse que não pode divulgar detalhes porque o caso está sob segredo de Justiça. Informações que possam ajudar na localização podem ser repassadas pelo telefone 190, da Polícia Militar, ou pelo 181, do Disque-Denúncia, sem necessidade de identificação.
Primo foi encontrado
Ágatha e Allan haviam saído para brincar com o primo Anderson Kauã, de 8 anos, que é autista. Moradores encontraram o menino com vida três dias depois, a cerca de quatro quilômetros do ponto onde as crianças desapareceram.
Segundo o pai, Anderson ainda não consegue explicar o que ocorreu depois que o grupo entrou na mata, apesar do acompanhamento psicológico. Após receber alta médica, ele participou, com autorização da Justiça, da reconstituição do trajeto. Conforme o relato do menino, os três saíram para procurar um pé de maracujá e entraram por outro caminho na mata para não serem vistos por um tio.
Os avós maternos também mantêm a esperança de encontrar os netos. José Emídio Prego Reis disse que, se algo tivesse acontecido, a família já teria uma resposta. Francisca Cardoso afirmou acreditar que as crianças foram levadas por alguém.
A Secretaria de Segurança Pública também alertou para publicações falsas sobre o caso, incluindo afirmações de que os irmãos teriam sido encontrados ou seriam vítimas de uma rede internacional de tráfico de órgãos. Segundo o órgão, conteúdos sem confirmação podem prejudicar a investigação e aumentar o sofrimento da família.



