São Paulo, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,22 · Euro R$ 5,92 · Ibovespa 183.828 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Brasil

Como o Japão mantém ruas limpas mesmo com poucas lixeiras

Ataques, custos de manutenção, políticas públicas e hábitos sociais ajudam a explicar a escassez de lixeiras no país.

Como o Japão mantém ruas limpas mesmo com poucas lixeiras
Foto: Getty Images

A falta de lixeiras nas ruas do Japão tem origem em uma combinação de segurança, custos, políticas públicas e hábitos sociais. Mesmo com poucos pontos para descarte, as cidades permanecem limpas porque moradores costumam carregar os resíduos até encontrar um local adequado.

Segurança e redução das lixeiras

Um marco para a mudança foi março de 1995, quando integrantes da seita Aum Shinrikyō liberaram gás sarin em três linhas do metrô de Tóquio durante o horário de pico da manhã. O ataque matou 14 pessoas e deixou milhares de feridos. Depois do episódio, autoridades fecharam ou removeram lixeiras como medida preventiva.

Ataques terroristas posteriores em outros países, incluindo os de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, contribuíram para a manutenção dessas medidas. A segurança, porém, não explica sozinha por que tantas lixeiras não foram reinstaladas.

Desde os anos 2000, alguns municípios também reduziram de forma deliberada os recipientes nas vias públicas. Aya Yoshida, do Instituto Nacional de Estudos Ambientais do Japão, afirma que a medida buscava estimular as pessoas a levar o próprio lixo para casa.

Em Kyoto, por exemplo, a quantidade de lixeiras nas ruas caiu para menos da metade a partir de 2011. A redução ocorreu depois do aumento de problemas como o descarte de lixo doméstico nesses recipientes e o acúmulo de resíduos ao redor deles, o que elevou os custos de manutenção e gestão.

Políticas e hábitos cotidianos

A limpeza das ruas também resulta de décadas de campanhas contra o descarte irregular, educação pública, limpeza urbana e mudanças no desenho dos espaços para desencorajar o lixo no chão. Yoshida afirma que não se deve explicar esse cenário apenas por um senso de ordem considerado exclusivamente japonês.

As normas sociais têm influência. Entre elas está o meiwaku o kakenai, princípio de evitar causar incômodo aos outros. Outro fator é que comer enquanto se desloca é relativamente incomum no país, o que tende a reduzir a quantidade de resíduos gerada fora de casa.

Para turistas, a experiência é diferente. Longos períodos de passeio, combinados com a compra de bebidas e lanches em lojas de conveniência, fazem com que eles carreguem embalagens sem encontrar um local evidente para descartá-las.

Junko Yokoo, guia turística que mora no Japão, diz que muitos visitantes se frustram inicialmente, mas acabam se adaptando ao costume local. As lixeiras não desapareceram completamente: estações de trem ainda costumam ter recipientes transparentes perto das catracas, monitorados por funcionários ou câmeras de segurança, segundo Eiko Maruko Siniawer, professora de história no Williams College.

Neste mês, a estação de Shinjuku, em Tóquio, lançou um projeto-piloto com robôs-lixeira móveis que circulam pelas instalações recolhendo resíduos. Até que iniciativas desse tipo se espalhem, a prática adotada por moradores da cidade continua sendo guardar o lixo até encontrar um ponto de descarte.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.