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Justiça suspende reintegração de posse de 94 casas junto a ferrovia em Arcos (MG)

Liminar do TJMG atende pedido do MPMG e interrompe ações movidas pela Ferrovia Centro-Atlântica contra famílias que vivem no local há mais de 15 anos.

Justiça suspende reintegração de posse de 94 casas junto a ferrovia em Arcos (MG)
Foto: MPMG/Divulgação

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu, em decisão liminar, os processos de reintegração de posse contra famílias que vivem às margens da ferrovia em Arcos, no Centro-Oeste de Minas Gerais. O pedido foi apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

A Secretaria de Obras de Arcos identificou 94 casas que ultrapassam os limites da faixa de domínio da ferrovia. A maioria está a menos de seis metros da linha férrea. As ações foram movidas pela Ferrovia Centro-Atlântica, concessionária responsável pelo trecho.

Segundo o MPMG, a empresa buscava retirar os moradores da faixa de domínio e da faixa não edificável sem apresentar alternativas de moradia, plano de reassentamento ou indenização prévia. Durante a investigação, foram realizadas reuniões com a concessionária, a Prefeitura e a Defensoria Pública para discutir soluções.

O Ministério Público afirma que a empresa recusou propostas para elaborar um plano habitacional em conjunto e sustentou que as questões ligadas ao direito à moradia seriam responsabilidade do poder público.

Ao suspender os processos, o juiz considerou que as ocupações estão consolidadas há décadas e que o caso deve ser examinado de forma coletiva. A decisão também apontou risco de dano social com a retirada das famílias, incluindo desalojamento, perda das casas, rompimento de vínculos comunitários e aumento da vulnerabilidade econômica e social.

Perfil das famílias

Relatório técnico do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Apoio Comunitário, Inclusão e Mobilização Sociais (CAO-Cimos) indicou que 82,9% das famílias entrevistadas vivem na região há mais de 15 anos. Em 95,1% dos casos, a renda é igual ou inferior a dois salários mínimos.

O levantamento mostrou ainda que 75,6% dos domicílios têm pelo menos um morador entre idosos, crianças, adolescentes ou pessoas com deficiência. Em 85,4% das residências analisadas, a distância para a ferrovia é inferior a seis metros.

Moradores relataram rachaduras, trepidações, danos estruturais, alterações no sono e insegurança sobre a permanência nas casas. O MPMG também informou que 78% dos entrevistados disseram receber regularmente cobranças de Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). O relatório registrou alvarás de construção em parte dos imóveis.

Em 2023, a concessionária havia informado a existência de mais de dez ações judiciais para retirar 45 ocupações consideradas irregulares.

A Justiça determinou a interrupção imediata dos processos possessórios em andamento e marcou audiência de conciliação para fevereiro de 2027, com a participação das partes envolvidas.

A Ferrovia Centro-Atlântica informou que tomou conhecimento da decisão e se manifestará no processo. A empresa declarou: “A empresa reitera seu compromisso de manter o diálogo com todos os órgãos envolvidos.”

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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