O presidente Lula deve defender o combate ao crime organizado e criticar medidas adotadas nas Américas em discurso na ONU na próxima terça-feira (22), em Nova York. Como é tradicional, o brasileiro abrirá as falas dos chefes de Estado na Assembleia-Geral e será seguido por Donald Trump.
A orientação é evitar menções diretas aos Estados Unidos e a Washington. Uma fonte diplomática que auxilia na elaboração do discurso afirmou que os recados serão transmitidos com polidez. Lula também não deve citar o Escudo das Américas, iniciativa patrocinada por Trump para reunir governos de direita da América Latina em uma coalizão contra cartéis de drogas.
Segurança e tensão com os Estados Unidos
A coalizão inclui os governos de Nayib Bukele, de El Salvador, Javier Milei, da Argentina, e Rodrigo Paz, da Bolívia. O Peru, governado por Keiko Fujimori, também aderiu após uma viagem do secretário de Estado Marco Rubio pela América do Sul. O grupo ainda está sendo estruturado e surgiu na esteira de ações que levaram os Estados Unidos a bombardear embarcações no Caribe.
A segurança pública se tornou um tema central nas campanhas eleitorais e um ponto de tensão entre os dois países. Em maio, as facções CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) foram classificadas como terroristas pelo governo americano, um dia depois da visita do candidato e senador Flávio Bolsonaro a Washington.
Nesta quarta-feira, o governo Trump declarou ao Congresso que o Brasil falha no combate às duas facções e cobrou medidas mais fortes. O Ministério da Justiça e Segurança Pública rejeitou a declaração. O governo brasileiro afirmou que os Estados Unidos ignoram iniciativas nacionais e a cooperação existente entre os países. Entre as medidas citadas estão a Lei Antifacção, sancionada por Lula com vetos em março, e um pacote de R$ 11 bilhões lançado em maio.
Lula também deve criticar a interferência estrangeira nas eleições brasileiras. Um encontro formal com Trump é considerado praticamente descartado, mas auxiliares não afastam a possibilidade de uma abordagem entre os dois após o discurso.
O presidente deve chegar a Nova York no final da tarde de domingo (20). Na segunda-feira (21), ficará na casa do representante do Brasil na ONU, o embaixador Sérgio Danese, e poderá receber o prefeito Zohran Mamdani. O discurso ocorrerá na manhã de terça-feira, com retorno ao Brasil após o almoço. Outras reuniões com líderes estrangeiros ainda não estão confirmadas.


