Lula embarca neste domingo para Nova York, onde participará da abertura da Assembleia Geral da ONU. O presidente brasileiro será o primeiro chefe de Estado a discursar, seguindo a tradição de que o Brasil inaugura a sequência de falas desde 1955.
A agenda também prevê um encontro com o prefeito de Nova York, Zohron Mamdani, e uma reunião breve com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. O governo brasileiro recebeu ao menos 30 pedidos de reuniões bilaterais com chefes de Estado, mas Lula deve atender apenas parte deles devido ao espaço limitado na agenda e à logística de segurança na região da assembleia.
Há ainda a possibilidade de um contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos corredores da ONU. Trump discursará logo depois de Lula.
Agenda em Nova York
No 20/9, está prevista a chegada de Lula à cidade. O 21/9 será dedicado à revisão do discurso que será apresentado na ONU, ao encontro com o prefeito e a possíveis reuniões bilaterais. No 22/9, o presidente fará o discurso de abertura da Assembleia Geral e retornará ao Brasil.
Esta será a 81ª Assembleia Geral da ONU. O tema da sessão é “Restaurando a confiança e administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos”. A presidência ficará com Khalilur Rahman, chanceler de Bangladesh, eleito para comandar a 81ª sessão.
Depois da volta de Lula, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York durante a semana para representar o Brasil em outros compromissos. A delegação brasileira também deverá participar de reuniões do Conselho de Segurança, incluindo uma sobre a situação na Palestina, além de eventos relacionados ao direito internacional e a outros assuntos multilaterais.
Fazem parte da delegação João Paulo Capobianco, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Wellington Dias, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; Esther Dweck, do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos; Eloy Terena, dos Povos Indígenas; Rachel Barros, da Igualdade Racial; e Audo Faleiro, assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República.
Temas do discurso
A expectativa é que Lula defenda o multilateralismo, negociações de paz, a não interferência nos assuntos internos dos países, o direito internacional humanitário, o combate ao crime organizado, o meio ambiente e a inteligência artificial. Também deverá apresentar iniciativas brasileiras e a visão do país sobre o cenário internacional.
A orientação é abordar o combate ao crime organizado e a cooperação entre países sem dirigir o discurso especificamente a Trump, ao Primeiro Comando da Capital (PCC) ou a episódios recentes relacionados ao tema.
Auxiliares afirmam que Lula deverá tratar de soberania e democracia e criticar tentativas externas de interferência no processo eleitoral brasileiro sem citar nomes. O presidente não deve mencionar diretamente os Estados Unidos nem Donald Trump. Os recados poderão alcançar também Argentina e Israel.
A linguagem deverá ser “polida”, para transmitir as mensagens sem criar situações de embate com outros países. O discurso será revisado até instantes antes da leitura no plenário. Um auxiliar afirmou que Lula “não pode se omitir” e precisa “defender as instituições e o processo eleitoral”.
Conselho de Segurança e sucessão na ONU
Lula também defende a reforma do Conselho de Segurança, que, na avaliação do presidente, perdeu capacidade de evitar conflitos e mediar soluções pacíficas quando um de seus integrantes participa de guerras.
O órgão é formado por cinco membros permanentes — Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França — e dez não permanentes, escolhidos em sistema de revezamento para mandatos de dois anos. Os permanentes têm poder de veto, e decisões só avançam com a aprovação desses países.
O presidente brasileiro defende a inclusão de mais membros permanentes, como Japão, Alemanha, África do Sul e Brasil. Neste ano, a ONU também escolherá o sucessor de António Guterres. O Brasil apoia Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, para a função, seguindo a defesa de uma candidata mulher e latino-americana. A escolha caberá à Assembleia Geral, a partir de indicação do Conselho de Segurança.


