SALVADOR — José Pacheco Maia Filho, conhecido como Zé Filho, morreu no fim da tarde de 18 de setembro, em Salvador. Jornalista, radialista e professor, ele também trabalhou com comunicação corporativa, campanhas eleitorais e gestão pública.
Nascido em novembro de 1965, Zé Filho cresceu no bairro do Canela, em Salvador. Na juventude, estudou comunicação na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e iniciou sua trajetória profissional no rádio. Com o nome de Jota Junior, apresentava programas com rock nas noites da rádio Transamérica.
A música esteve presente em diferentes momentos de sua vida. Raul Seixas era um de seus principais referenciais. Após a morte do cantor, em agosto de 1989, o então jovem repórter foi ao cemitério registrar a reação dos fãs. O jornalista também acompanhava bandas como Pink Floyd e tinha entre suas canções preferidas uma música sobre a chuva, que costumava cantarolar durante as tempestades.
Jornalismo e comunicação
Pacheco Maia escreveu sobre esportes no Bahia Hoje e sobre economia na Gazeta Mercantil. Também foi diretor do sindicato dos jornalistas e liderou uma greve de 33 dias, marcada por piquetes acompanhados por canções de João Gilberto.
Na comunicação pública, ocupou o cargo de secretário de Comunicação em Salvador. Como professor, voltou a trabalhar com rádio e instalou o transmissor FM da Rádio Facom, da UFBA. Ele também se envolvia com aparelhos, cabos e antenas e, ocasionalmente, colocava rádios piratas no ar.
Além do jornalismo e do rádio, dedicava-se aos livros e procurava edições raras em sebos. O texto de estilo próprio era reconhecido já nos primeiros parágrafos.
Família e últimos meses
Zé Filho teve as filhas Annalu e Clarissa com Judy, sua primeira mulher. Mais tarde, casou-se com Thea, com quem teve Isis. As três filhas eram descritas por ele como motivo de grande afeto. Também era conhecido pelo humor, pelo perfil acolhedor e pela quantidade de amigos, com quem conversava frequentemente por telefone.
Diagnosticado com leucemia no final de 2025, manteve o tratamento e o otimismo durante as idas ao hospital. Quando perguntado sobre seu estado, respondia: “Maravilhosamente bem, cada dia melhor.”
No dia de sua morte, uma chuva caiu sobre Salvador. A cena foi associada à canção que ele gostava de cantar: “I wanna know, have you ever seen the rain? Comin' down on a sunny day?”



