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Tradição de Cosme e Damião adapta distribuição de doces no Rio

Entre saquinhos, festas e ritos religiosos, devotos mantêm a celebração enquanto ajustam a forma de alcançar as crianças.

Tradição de Cosme e Damião adapta distribuição de doces no Rio
Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

A tradição de distribuir doces no dia de São Cosme e Damião tenta se manter no Rio de Janeiro com mudanças na forma de celebrar. Em vez de esperar as crianças aparecerem nas portas das casas, devotos passaram a organizar festas em templos e a procurar locais onde elas estejam reunidas.

A comemoração ocorre em meio à aproximação entre referências católicas, do candomblé e da umbanda. Na paróquia dos santos gêmeos, no Andaraí, o diácono Eugênio Júnior explica que a Igreja Católica reconhece a santidade apenas de Cosme e Damião. Doum, frequentemente representado ao lado dos irmãos, é uma figura popular da umbanda.

A Igreja celebra os santos em 26 de setembro, mas a paróquia também realiza a comemoração em 27 de setembro, data associada às homenagens populares. Eugênio afirma que a separação entre as celebrações católicas e os ritos da umbanda é difícil para muitos devotos.

A tradição cristã diz que os irmãos eram médicos e atendiam doentes por caridade na região do mar Egeu, entre a Europa e a Ásia. Eles teriam sido martirizados durante a perseguição romana aos cristãos no século 3, depois de sobreviverem a tentativas de execução por incêndio, lapidação e flechadas. Ao final, foram decapitados.

Doces e promessas

No candomblé, os ibejis são meninos gêmeos. Na umbanda, os erês são espíritos de crianças que descem ao plano terreno para aconselhar em troca de doces e guaraná. Nesse contexto de sincretismo, consolidou-se, na primeira metade do século 20, o costume de distribuir sacos de doces.

A composição tradicional inclui cocada, maria-mole, suspiro, paçoca e pé-de-moleque. Com o tempo, balas, gomas de mascar, bombons e barras de chocolate também passaram a fazer parte dos saquinhos.

Amanda Teixeira, 43, vai distribuir os doces pela primeira vez como pagamento de uma promessa. Ela planeja entregar 50 saquinhos e aumentar a quantidade para 100 e depois 150 caso sua situação melhore.

Na Barra da Tijuca, onde mora, Amanda pretende fazer a entrega de carro. Segundo ela, algumas famílias não aceitam os doces, enquanto outras ficam nos canteiros da avenida principal aguardando a distribuição. A babá Kelly Reis, 32, ajudou a definir os produtos, combinando doces tradicionais e itens mais recentes.

Celebrações em templos

No templo de umbanda Ogum Beira-Mar, no Cachambi, Tiane Appolinário, 47, dirigente da casa, preparou brinquedos, saquinhos de doces e um enxoval para gestantes com outros dirigentes. Também está prevista uma gira com os erês. O templo reúne cerca de 350 médiuns e recebe outras centenas de visitantes ao longo do dia.

Tiane, que foi batizada na igreja de São Cosme e Damião, lembra que faltava às aulas para pegar doces. Ela afirma que hoje é necessário perguntar às mães se as crianças recebem os produtos, algo que considera diferente do que ocorria no passado.

Na paróquia, a trezena inclui bateria de escola de samba e festival de pastel. O padre Rodrigo Brum defende a união entre fé e cultura para aproximar as pessoas da celebração.

Os primeiros registros da festa em jornais cariocas aparecem a partir da década de 1940. Antes disso, já havia no candomblé baiano o caruru dos meninos, oferecido aos ibejis.

Devotos atribuem a redução do entusiasmo infantil ao avanço da cultura evangélica, à facilidade de comprar chocolate e à menor convivência entre vizinhos nas grandes cidades. Bianca Chaves, dirigente do templo Ogum Beira-Mar, diz que a violência reduziu a distribuição nas ruas, mas que a procura por festas organizadas no templo aumentou nos últimos três ou dois anos. Ela prepara eventos para centenas de crianças há cerca de oito anos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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