SÃO PAULO — Painéis que exibem a velocidade de quem circula pela ciclovia da avenida Brigadeiro Faria Lima estão em operação há um mês. Os equipamentos foram instalados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para reforçar o limite regulamentado no trecho, mas ainda têm função educativa e não geram fiscalização ou penalidades.
A ciclovia, na zona oeste de São Paulo, reúne bicicletas convencionais e elétricas, equipamentos autopropelidos e motos. Cada painel capta apenas a faixa posicionada diante dele. Em outros pontos, os dispositivos ficam do lado oposto para acompanhar o sentido do fluxo.
A CET afirma que escolheu a Faria Lima por causa do volume de bicicletas e autopropelidos e da largura disponível para a instalação. A companhia também identificou veículos acima da velocidade permitida, situação que pode elevar os riscos principalmente nos cruzamentos. Os equipamentos são móveis e devem ser levados gradualmente a diferentes vias da capital paulista, conforme a necessidade.
Limites e fiscalização
Em 14 de agosto deste ano, a gestão de Ricardo Nunes (MDB) determinou que bicicletas elétricas, patinetes e outros equipamentos autopropelidos podem atingir até 20 km/h em ciclovias e ciclofaixas. Quando esses veículos dividem espaço com pedestres, bicicletas elétricas devem respeitar o limite de 6 km/h.
A aplicação de multas e os procedimentos para eventuais penalidades ainda estão em avaliação, levando em conta as legislações federal, estadual e municipal. Na manhã desta quinta-feira (24), houve usuários acima de 20 km/h; em um caso, o painel registrou 33 km/h.
Quem trabalha no entorno relata dificuldades com o fluxo. Benzaliel Araújo, 44, que atua em uma barraca de lanche na praça Buritama, afirma que segunda e quarta-feira concentram os períodos mais complicados. Segundo ele, a circulação aumenta quando parte dos frequentadores deixa de trabalhar remotamente.
A cozinheira Ivonete Leite, 49, mantém a velocidade baixa por receio de acidentes. Ela sofreu uma queda de bicicleta anos atrás e diz que, depois das 9h, o movimento cresce a ponto de atrapalhar a passagem. “Fica impossível pedalar”.
Deusmar Coriolano, 71, que trabalha em uma banca de revistas, afirma ter presenciado muitos acidentes. Para ele, o radar era necessário, mas a fiscalização perde força sem agentes da prefeitura no local. Coriolano também relata dificuldades para pedestres atravessarem a ciclovia.
O estudante João Vitor Lima, 26, percebeu o equipamento apenas na última semana, apesar de usar o trajeto com frequência. Ele afirma que não controla a velocidade ao passar pelo painel porque o movimento é intenso e tende a aumentar. “Eu acho que não vai mudar muita coisa”.



