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Perícia vai apurar falhas no projeto e na obra do residencial Tequici

Especialistas dizem que a alvenaria estrutural é segura, mas depende de projeto, materiais e execução sem intervenções não previstas.

Perícia vai apurar falhas no projeto e na obra do residencial Tequici
Foto: Folhapress

A causa do desabamento do residencial Tequici, no distrito da Penha, dependerá de uma perícia sobre o projeto, a execução da obra, os materiais empregados e as fundações. A apuração pode durar meses. O colapso ocorrido no sábado (12), na zona leste de São Paulo, deixou seis pessoas mortas e duas feridas.

O edifício foi construído com alvenaria estrutural, sistema em que as paredes participam da sustentação. A ausência de colunas, pilares e vigas, questionada nas redes sociais após o acidente, é uma característica desse método e não indica, por si só, insegurança na construção.

Especialistas ouvidos sobre o caso afirmam que a técnica é consolidada e segura quando o projeto e a execução seguem os procedimentos previstos. O sistema exige blocos com resistência compatível com o peso do edifício, além de argamassa, fundações e preenchimentos pontuais com cimento adequados.

O que será investigado

Imagens externas do imóvel, registradas entre 2021 e 2024 e compartilhadas na internet, mostram supostas inadequações na distribuição dos blocos de concreto, trincas e furos em paredes de sustentação. O engenheiro civil e perito Alexandre Fontolan identificou possíveis inconformidades, mas ressaltou que sua análise foi superficial e não substitui a perícia.

Uma das hipóteses apontadas por especialistas envolve a distribuição dos blocos sem a chamada amarração. Nesse caso, as juntas entre as peças ficam alinhadas verticalmente, quando normalmente deveriam ser intercaladas. Também foram observados furos em parte das paredes, possivelmente para a instalação da bandeja de proteção.

Fontolan afirmou: “É um sistema confiável, mas necessita de procedimentos específicos. Não tem lugar de improviso na obra quando estou falando de alvenaria estrutural”. A abertura de paredes e a passagem de redes elétrica e hidráulica precisam ser previstas no projeto. Perfurações significativas e a retirada de paredes internas podem comprometer a estrutura.

Na quarta-feira (16), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que a construtora New Home tinha conhecimento de problemas estruturais e que teria orçado medidas de reforço em maio. Segundo ele, a intervenção não foi realizada por causa dos custos previstos.

A defesa do engenheiro Ronaldo dos Santos Vivaqua, apontado como sócio oculto da construtora, repudiou “informações descontextualizadas” divulgadas por autoridades. Em nota, afirmou que só se manifestará depois da conclusão do trabalho técnico e do acesso à íntegra da investigação. A defesa também mencionou uma grande movimentação recente de terra em um terreno vizinho. Vivaqua segue preso.

O advogado que se apresentava em nome da empresa informou que agora representa apenas Cristiano Salgado Vivaqua, engenheiro responsável pela obra e filho de Ronaldo. Cristiano está foragido, assim como a sócia-administradora Isis de Freitas Rodrigues Brandão. Não foi identificada representação formal da New Home.

A polícia também apura eventual responsabilidade da servidora Viviane Rodrigues de Palma. O relatório de uma visita dela à obra resultou na extinção de uma ação demolitória movida pela prefeitura.

Técnica exige controle

A alvenaria estrutural é usada no Brasil especialmente desde os anos 1990 e pode ser aplicada em prédios de até 30 andares. Em São Paulo, o método é adotado por algumas das principais empresas do mercado imobiliário. A técnica costuma reduzir custos e acelerar a obra.

Luciana Oliveira, diretora técnica da unidade de negócios de Habitação e Edificações do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), disse que moradores de prédios construídos com esse sistema não precisam se preocupar apenas por causa do método. Para ela, um colapso estaria relacionado a falhas no projeto, na obra ou no controle de qualidade, e não à alvenaria estrutural em si.

Segundo Oliveira, sinais como trincas, deformações e estalos podem indicar problemas. Uma ruptura nas fundações, porém, pode ocorrer de maneira mais inesperada por estar em uma parte subterrânea da construção.

O perito Aurélio Franceschi, coordenador da Câmara Técnica de Estruturas e Patologia das Construções do Instituto de Engenharia do Paraná, defende uma avaliação aprofundada e conduzida por um corpo técnico. Ele afirma que a tecnologia do sistema avançou e que prédios mais altos exigem materiais específicos e cálculos mais sofisticados.

Em outro caso, envolvendo prédios-caixão da Grande Recife, foi constatado o uso de tijolos inadequados para alvenaria estrutural. O desabamento ocorrido em 2023 deixou 14 mortos na região.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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