As autoridades de saúde que combatem o surto de ebola na República Democrática do Congo identificaram cerca de 30 mil pessoas que podem ter sido expostas ao vírus. O número representa uma parcela dos aproximadamente 420 mil contatos que deveriam ser localizados a partir dos cerca de 7.000 casos confirmados.
Jean Kaseya, diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC da África), afirmou que mais de 80% dos novos casos estavam sendo encontrados entre pessoas que não apareciam nas listas de contatos. Para ele, o dado indica que a transmissão continua ocorrendo fora do alcance da vigilância.
Para cada caso confirmado, as autoridades esperam identificar cerca de 60 pessoas que tiveram contato direto ou indireto com o infectado. “Mas, atualmente, temos apenas 30 mil pessoas na lista de contatos”, disse Kaseya na sexta-feira (25), à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
O surto foi detectado em maio e já é o segundo maior registrado, atrás apenas do ocorrido na África Ocidental entre 2014 e 2016. A Organização Mundial da Saúde informou na sexta-feira que a doença havia chegado a Bulu, na província de Sud Ubangi, e a Dungu, na província de Haut-Uele, perto da fronteira com o Sudão do Sul. Com isso, 63 zonas de saúde, em sete províncias, estavam afetadas.
Sinais de desaceleração
Autoridades das Nações Unidas e do governo congolês relataram sinais de desaceleração da transmissão em algumas das áreas mais atingidas de Ituri, apontada como epicentro do surto. A primeira-ministra congolesa, Judith Suminwa Tuluka, disse na quarta-feira que a resposta havia começado a produzir resultados concretos.
Kaseya afirmou que ficaria menos preocupado mesmo com 50, 60 ou 70 novos casos por dia se eles fossem identificados entre pessoas já monitoradas. Nesse cenário, as autoridades saberiam onde a transmissão estaria ocorrendo.
O diretor-geral não previu quando o surto será controlado. Segundo ele, seria necessário melhorar substancialmente a vigilância antes de estabelecer um cronograma. Kaseya afirmou que poderia avaliar a possibilidade de controle total em quatro semanas se os novos casos viessem das listas de contatos, não houvesse mortes nas comunidades e nenhum profissional de saúde fosse infectado.
O CDC da África informou que quase US$ 2,9 bilhões foram prometidos para a resposta ao ebola em uma reunião convocada pelos Estados Unidos em Nova York na quinta-feira (24). Desse total, US$ 886 milhões foram anunciados pelo governo norte-americano.



