RIO BRANCO — A redução do nível do Rio Acre diminuiu o movimento das catraias em Rio Branco e tornou a navegação mais difícil. Bancos de areia, trechos rasos, troncos e pedras passaram a exigir mais cuidado dos trabalhadores e das equipes que circulam pelo rio.
Antônio Viana, catraieiro na capital do Acre, afirma que os passageiros têm evitado as travessias porque os barrancos e as escadas ficaram mais distantes. Com isso, parte dos usuários passou a escolher alternativas como Uber e moto-táxi. “De uns meses para cá, caiu o nosso trabalho, o nosso transporte aqui diminuiu muito”, disse.
O Rio Acre registrou 1,62 metros na medição de sábado (5), conforme a Defesa Civil Municipal. A redução do volume de água também afeta outras cidades do estado e pode alterar a rotina de comunidades que vivem às margens do manancial.
A Defesa Civil Estadual acompanha os rios e as localidades que podem sofrer os efeitos da estiagem. O coordenador do órgão, coronel Carlos Batista, afirmou que o monitoramento busca identificar áreas de risco e evitar o desabastecimento, principalmente em cidades mais afastadas, como Santa Rosa do Purus, Jordão, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter.
As comunidades estão se organizando para armazenar insumos. A Defesa Civil também mantém contato com coordenadorias municipais e moradores que vivem longe das margens, com orientações e busca de soluções para o período de seca.
Segundo Batista, o fenômeno El Niño contribui para o aumento das temperaturas e para a redução das chuvas. A tendência, afirmou, é de que essa condição se fortaleça em outubro e novembro, sem ocorrência de chuvas significativas capazes de elevar o nível dos rios.
A baixa profundidade também dificulta o trabalho das equipes de segurança. Como as águas são barrentas, obstáculos submersos podem ficar escondidos. A recomendação é navegar em baixa velocidade e evitar áreas sem segurança. Em períodos de altas temperaturas, a Defesa Civil também orienta que famílias redobrem a atenção em balneários, especialmente com crianças, e não consumam bebidas alcoólicas durante essas atividades.
O governo do Acre decretou situação de emergência em 3 de agosto, diante da seca e da possibilidade de desabastecimento hídrico. Em 20 de agosto, o governo federal reconheceu a emergência nos 22 municípios do estado. A medida consta da Portaria nº 2.659, de 19 de agosto, assinada por Wolnei Wolff Barreiros, secretário nacional de Proteção e Defesa Civil.
O reconhecimento permite que os municípios apresentem planos de ação e solicitem recursos federais. Foram incluídos Acrelândia, Assis Brasil, Brasiléia, Bujari, Capixaba, Cruzeiro do Sul, Epitaciolândia, Feijó, Jordão, Mâncio Lima, Manoel Urbano, Marechal Thaumaturgo, Plácido de Castro, Porto Acre, Porto Walter, Rio Branco, Rodrigues Alves, Santa Rosa do Purus, Sena Madureira, Senador Guiomard, Tarauacá e Xapuri. A ocorrência foi classificada como seca pelo Código Brasileiro de Desastres (Cobrade).



