RIO BRANCO — Rio Branco registrou 48,1 milímetros de chuva em agosto, volume 3,4% superior aos 46,5 milímetros previstos para o mês. O acumulado, porém, ficou concentrado em poucos dias: não houve precipitação em 25 dos 31 dias.
Dos seis dias com chuva, dois responderam por 44 milímetros, ou cerca de 91% do total registrado em agosto. Em um desses dias, foram 16 milímetros; no outro, 28 milímetros.
A Defesa Civil Municipal avalia que o volume acumulado não representa uma mudança no cenário de estiagem, porque as chuvas não ocorreram de forma regular. O coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, afirmou que a distribuição e a frequência das precipitações são tão importantes quanto o volume mensal.
O resultado de agosto deste ano foi quase quatro vezes maior que o registrado no mesmo mês de 2025. Naquele período, Rio Branco acumulou 12,2 milímetros, o equivalente a 26% do volume esperado.
Entre janeiro e junho deste ano, a capital acreana registrou 1.557,5 milímetros, 18% acima dos 1.321,2 milímetros acumulados no mesmo intervalo de 2025. Ainda assim, episódios isolados influenciaram o resultado. Em junho, por exemplo, foram 106 milímetros, dos quais 103 milímetros caíram em apenas um dia. Sem esse registro, o mês teria terminado com aproximadamente 3 milímetros.
Previsão para setembro
A Defesa Civil Municipal prevê 92,7 milímetros de chuva para setembro, quase o dobro do volume esperado para agosto. A avaliação do órgão é que a estiagem deve continuar, pois a previsão indica precipitações irregulares.
A previsão de chuvas abaixo da média se estende por setembro, outubro, novembro e dezembro. As temperaturas elevadas favorecem a evaporação e contribuem para a perda de água do solo e dos mananciais.
Rio Acre abaixo de 2 metros
O Rio Acre continua em nível baixo em Rio Branco. O manancial marcou 1,59 metro neste domingo (6), a menor marca do ano até então. Poucos dias antes, em 31 de agosto, o rio havia atingido 1,83 metro e ficado abaixo dos 2 metros pela 3ª vez neste ano.
Segundo Cláudio Falcão, as oscilações recentes do nível não indicam necessariamente melhora nas condições hídricas da capital. Parte da água que eleva o manancial vem de outros municípios, e não das chuvas locais.
O cenário também ocorre sob a possibilidade de influência do El Niño, fenômeno associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. Na região Norte, o fenômeno está historicamente relacionado a períodos mais secos e quentes.



