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Sinais da caatinga orientam previsão de chuva no interior do Rio Grande do Norte

Francisco Elpídio observa plantas, animais e fenômenos atmosféricos há 50 anos para antecipar o período chuvoso em Caicó.

Sinais da caatinga orientam previsão de chuva no interior do Rio Grande do Norte
Foto: Helenita Hollanda/Divulgação

Na zona rural de Caicó, no Rio Grande do Norte, Francisco Elpídio de Medeiros usa sinais da natureza para estimar o comportamento das chuvas. Aos 76 anos, o sertanejo acompanha plantas, animais e fenômenos atmosféricos no distrito de Palma, onde vive, e tenta identificar os efeitos do El Niño sobre o período chuvoso.

Elpídio estudou até a 8ª série e afirma ter construído seu conhecimento a partir de 50 anos de observação. Entre os sinais que acompanha está o nascimento de botões na jurema. Para ele, quando a planta começa a produzir folhas, é sinal de que captou umidade do ar e pode chover em dois ou três dias. O sertanejo também observa o xiquexique: o surgimento de tufos brancos na coroa, associados ao nascimento de flores, indicaria chuva.

“Essa planta captou a umidade do ar e deve ter ‘carregação’ [chuva] em até dois, três dias”, conta.

Animais e fenômenos atmosféricos

O comportamento dos animais também faz parte das previsões. Segundo Elpídio, o acasalamento da siriema em novembro, o revestimento do cupinzeiro e o aumento do enxame da abelha eichu são sinais de chuva.

Outro indicador são as chamadas cinzas de setembro, uma bruma vista nos morros da região nas primeiras horas do dia. Ele relaciona a intensidade observada nos seis primeiros dias de setembro ao volume de chuva dos seis primeiros meses do ano. Na avaliação dele, como as cinzas foram fracas no dia 2, fevereiro poderia ter chuva irregular.

A propriedade onde mora com a família tem 85 hectares e fica no meio da caatinga. O local abriga um rebanho de gado leiteiro e áreas de cultivo de feijão, milho, batata-doce e melancia. A Universidade Estadual da Paraíba usa a área em pesquisas sobre o bioma.

Em janeiro, profetas da chuva se reuniram em Quixadá, no Ceará, no 30º Encontro dos Profetas da Chuva. A maioria previa chuvas regulares em 2026, durante o período conhecido como inverno nos estados da região, que vai do início do ano até maio ou junho. No Rio Grande do Norte, a precipitação acumulada chegou a 404,4 milímetros de fevereiro a abril, conforme dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte. O volume ficou 5,8% acima da média esperada de 382,3 milímetros.

Mesmo assim, a quantidade não foi suficiente para recuperar o açude Itans, principal de Caicó, que estava com 0,33% do volume.

Resistência da caatinga

Elpídio reconhece os efeitos do aquecimento global na região, mas não acredita que a caatinga vá se transformar em deserto. Ele afirma que plantas resistentes ajudam a sustentar o bioma e destaca espécies de raízes profundas, como umbuzeiro, juazeiro e angico, capazes de encontrar água a 5, 7 metros de profundidade.

Pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba calcularam que uma raiz de umbuzeiro no sítio armazenava 300 litros de água, quantidade suficiente para três anos de sobrevivência. O agricultor também recolheu milhares de sementes de 40 tipos de plantas e as doou a ONGs ambientalistas.

Ao anoitecer, ele encerra o trabalho e se prepara para acordar às 4h, quando verifica a névoa nos morros. Até o final do ano, pretende avaliar se haverá chuva suficiente em 2027 ou um “inverno atrapalhado”, expressão usada pelos sertanejos para descrever a precipitação irregular.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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