SÃO PAULO — A musicista Layla, de 28 anos, é apontada por Taís Araújo como uma presença essencial em “Mudando de Pele”, espetáculo em cartaz em São Paulo. Artista de Campinas, ela toca a kora, instrumento ancestral africano, e compôs toda a harmonia e os acordes usados na montagem.
A produção nasceu como um monólogo inglês, mas ganhou outro formato no Brasil com a participação de Layla e da diretora musical Dani Nega. Para Taís, a diversidade e as experiências das duas artistas mudaram a estrutura do trabalho. “Isso não pode ser chamado de solo, porque a participação das meninas é muito poderosa em cena”, afirmou a atriz.
Taís também disse que a peça passou a depender da presença das duas colaboradoras. “Essa peça não existe mais sem a Layla e sem a Dani”, declarou. A atriz avalia que a vivência de Layla acrescentou elementos que não estavam presentes em sua experiência nem na de Dani Nega.
A origem da kora
Layla teve contato com a música e com a kora na Casa de Cultura Tainã, uma ocupação cultural de resistência negra localizada na Vila Bela, em Campinas. O espaço é gerido por seu pai, Mestre TC.
A kora tem origem no oeste africano, no Império Mandinga, por volta do século 18. O instrumento é feito artesanalmente com cabaça, couro e madeira e tem 21 cordas, cuja combinação forma uma estrutura musical complexa.
Mestre TC afirmou que as atividades da Casa de Cultura Tainã procuram, por meio da música, das tradições e dos saberes ancestrais, reconectar as Áfricas que foram divididas e separadas.
Fundada por Toninha, uma mulher da comunidade da Vila Bela, a Casa promove a integração de comunidades quilombolas, indígenas, urbanas e rurais. O espaço fica na região da Vila Padre Manoel da Nóbrega. Depois da morte de Toninha, passou a ser administrado pelo pai de Layla.
Com sessões lotadas na capital paulista, o elenco espera apresentar o espetáculo em Campinas em breve. Taís afirmou que existe um desejo grande de levar a montagem à cidade.



