A maioria dos brasileiros que ainda trabalha gostaria de se aposentar aos 60 anos, mas 32% acreditam que não conseguirão atingir essa idade. Outros 11% dizem que nunca conseguirão parar de trabalhar, enquanto 12% não pretendem pedir o benefício do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Os dados são da 4ª edição da pesquisa “Percepção dos Brasileiros sobre Proteção e Planejamento”, encomendada pela Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida) ao Datafolha. O levantamento ouviu 1.908 pessoas em todo o país entre os dias 8 e 16 de julho deste ano.
Dependência do INSS
Entre os entrevistados que seguem no mercado de trabalho, 59% gostariam de se aposentar aos 60 anos. O desejo de parar ainda na faixa dos 50 anos aparece em proporção semelhante às edições anteriores da pesquisa: apenas 28% acreditam que conseguirão fazer isso.
A principal referência para a aposentadoria continua sendo a Previdência Social. Entre os participantes que já pararam de trabalhar, 92% afirmaram depender do INSS para se sustentar, apontando o benefício como sua principal fonte de renda.
Entre os que ainda estão na ativa e contribuem para a Previdência, 65% não sabem quanto receberão no futuro. Outros 35% disseram ter conhecimento do valor esperado. Desse grupo, 53% acreditam que deverão receber, no máximo, um salário mínimo, hoje de R$ 1.621.
Entre os que pretendem depender do INSS, 56% esperam ter de cortar gastos para conseguir se manter. Já 25% acreditam que preservarão o padrão de vida atual, enquanto 16% avaliam que não terão condições de se sustentar ou enfrentarão dificuldades por causa do baixo valor do benefício.
Medos e formas de proteção
O atendimento médico é uma preocupação para 7 em cada 10 entrevistados, que temem não ter dinheiro para pagar despesas de saúde no futuro. Apesar disso, apenas 28% afirmaram ter adotado alguma medida preventiva para evitar ficar sem plano de saúde durante a aposentadoria.
A morte de um familiar preocupa 70% dos participantes, mas somente 22% disseram se preparar para essa possibilidade. A ocorrência de uma doença grave foi citada por 63%.
Apenas 13% dos entrevistados associaram seguros e previdência privada a formas de proteção contra imprevistos. Poupar ou investir foi a principal medida mencionada, escolhida por 42%. Ao mesmo tempo, 2 em cada 10 disseram que dificuldades financeiras impedem que guardem dinheiro ou façam investimentos.
Mesmo com essa limitação, 64% afirmaram que pretendem contratar ou renovar ao menos um seguro ou plano de previdência privada no próximo ano.
Idade mínima e regras de transição
A reforma da Previdência de 2019 alterou as regras para a concessão do benefício. Para quem entra no mercado de trabalho depois da mudança, a idade mínima é de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens. Quem já contribuía antes pode se enquadrar em regras de transição.
Dados do INSS indicam que o brasileiro se aposenta hoje aos 61 anos, em média. Especialistas defendem que uma nova reforma comece a ser discutida a partir de 2027. As propostas mencionadas no levantamento sugerem elevar a idade mínima para 67 anos e igualar as regras para homens e mulheres.
Em 2026, uma das opções de transição é o pedágio de 100%. Nesse modelo, o segurado precisa trabalhar e contribuir pelo mesmo período que faltava para se aposentar quando a reforma começou, em novembro de 2019. Quem estava a dois anos de cumprir o tempo exigido, por exemplo, teria de trabalhar mais dois anos, totalizando quatro.
Também existe a transição por pontos, que soma idade e tempo de contribuição. Em 2026, serão exigidos 103 pontos para homens e 93 para mulheres. A pontuação aumenta gradualmente até chegar a 105 para homens e 100 para mulheres a partir de 2033. O tempo mínimo de contribuição é de 35 anos para homens e 30 anos para mulheres.
Outra regra considera idade mínima e tempo de contribuição. Os homens precisam ter 35 anos de contribuição e as mulheres, 30 anos. Em 2026, a idade mínima será de 64 anos e seis meses para eles e 59 anos e seis meses para elas. Esse requisito aumenta meio ponto a cada ano.
Professores que já trabalhavam formalmente em escolas particulares também têm regras de transição específicas. Em 2026, a pontuação será de 88 pontos para mulheres e 98 para homens, com tempo mínimo de contribuição de 25 e 30 anos, respectivamente. Na opção por idade mínima, serão exigidos 54 anos e seis meses para mulheres e 59 anos e seis meses para homens. A idade sobe seis meses a cada ano, até alcançar 57 anos para mulheres e 60 anos para homens.



