SÃO PAULO — A aviação executiva espera movimentar 1,2 milhão de aeronaves no Brasil em 2026, entre pousos e decolagens. A projeção da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag) representa alta de 9% sobre o patamar do ano passado. De janeiro a maio deste ano, foram registradas 438,3 mil movimentações.
A frota de aviação de negócios alcançou 11.362 aeronaves em maio, crescimento de 4,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a Abag. Mais da metade desse total é formada por aeronaves a pistão, enquanto os jatos correspondem a 2% da frota.
Serviços além da propriedade
Entre os produtos que ganharam espaço está o cartão de horas, modelo em que o cliente compra antecipadamente um pacote de uso de táxi aéreo. A Amaro Aviation oferece planos de 100, 50 ou 30 horas anuais.
João Mellão, CEO da empresa, afirma que o produto atende principalmente quem já costuma viajar em jato executivo, mas utiliza a aeronave por até 100 horas ao ano. Nesse formato, o cliente não precisa comprar um avião nem uma participação em jato compartilhado.
Cada hora em um jato executivo custa US$ 5.500, mais de R$ 28 mil. No caso de um turboélice, o valor é de US$ 2.750 por hora, cerca de R$ 14,1 mil.
Criada em janeiro de 2021, a Amaro Aviation começou com um modelo de propriedade compartilhada e hoje tem dez aeronaves. Mellão também relata crescimento no gerenciamento de aeronaves, serviço que inclui operações, taxas, documentação, seguros, manutenção, tripulação e administração de fretamentos para terceiros.
Luiz Sandler, fundador da Jet Match, também identifica demanda pelo cartão de horas, usado pelos clientes da empresa em viagens pela Europa. Ele descreve a modalidade como um serviço pré-pago. Segundo Sandler, porém, compra e venda de aeronaves e gerenciamento continuam sendo os maiores segmentos. A Jet Match tem oito aeronaves, entre helicópteros, jatos e turboélices.
Crédito para jatos
Durante o Catarina Aviation Show, feira realizada no interior de São Paulo, o Bradesco Global Private Bank lançou uma linha de financiamento em dólar para jatos executivos. O crédito pode financiar até 75% do valor de aeronaves novas ou seminovas. O banco também oferece leasing e consórcio.
Mariana Adamson Amaral, superintendente do banco, afirma que a instituição avalia com o cliente se a compra faz sentido dentro do patrimônio e considera o perfil de uso antes de indicar opções. De acordo com ela, a procura vem principalmente de famílias empresárias e clientes com estruturas patrimoniais mais complexas.



