São Paulo, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,11 · Euro R$ 5,86 · Ibovespa 186.596 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

Digimais aplicou R$ 271,4 milhões em papéis do extinto Besc

Fundo Betel concentrava 82% do patrimônio líquido do banco e tinha os papéis administrados pela Reag, liquidada pelo Banco Central.

Digimais aplicou R$ 271,4 milhões em papéis do extinto Besc
Foto: Alan Santos/Divulgação PR

O banco Digimais aplicou R$ 271,4 milhões em certificados de ações do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) por meio do Fundo Betel. O valor correspondia a 82% do patrimônio líquido da instituição, de acordo com seu último balanço, que registrava R$ 331 milhões.

Até janeiro deste ano, o Digimais era o único cotista do Betel. Todo o dinheiro do fundo estava aplicado em cártulas do Besc, documentos físicos que deixaram de representar ações depois que o banco catarinense foi comprado pelo Banco do Brasil em 2008.

Estrutura do fundo

O Betel foi criado em 24 de abril de 2025, com o nome de PNG International Bank. Em 26 de junho, houve uma emissão de cotas comprada integralmente pelo Digimais, e o fundo passou a se chamar Betel. O investimento nos papéis do Besc aparece nas informações do fundo desde julho de 2025 e continua no dado mais recente, de agosto deste ano.

As cártulas foram adquiridas de dois fundos, SDG II e BB Claim. Os fundos pertencem a uma cadeia administrada pela Reag, cujos proprietários finais são os filhos de João Carlos Mansur, dono da gestora. O SDG II também foi usado pelo Banco Master para esconder R$ 5,4 bilhões em empréstimos.

A Reag administrava os fundos ligados ao Master e ao Digimais. O Banco Central liquidou a gestora em janeiro deste ano por acusação de violação de normas do sistema financeiro. Mansur apresentou uma proposta de delação premiada à Procuradoria-Geral da República e aguardava aprovação do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal.

Divergência sobre a participação

O Fundo Betel não aparece no balanço do Digimais nem na relação de integrantes do conglomerado prudencial da instituição no Banco Central. O banco informou que o fundo deixou de fazer parte de seu portfólio em outubro de 2025, mas os dados encaminhados pela Comissão de Valores Mobiliários à CPI do Crime Organizado do Senado indicavam que o Digimais ainda era seu único cotista até janeiro deste ano. A instituição não informou quanto teria recebido pelas cotas, caso elas tenham sido vendidas.

O Digimais é controlado pelo grupo Record, ligado ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. A Polícia Federal investiga se o banco manipulou relatórios financeiros para ocultar sua situação e aparentar solidez aos órgãos de controle. Nesta quinta-feira (17), a instituição divulgou prejuízo de R$ 581,4 milhões no primeiro semestre deste ano.

A investigação apura suspeitas de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em relatórios e realização de empréstimos e financiamentos proibidos pela legislação. Também está sob análise a compra de precatórios. Os investigadores já identificaram estratégias semelhantes às usadas pelo Master para melhorar artificialmente o balanço do Digimais, mas o uso de cártulas ainda não havia aparecido na apuração.

As operações da Reag com papéis do Besc são investigadas pela CVM desde 2022. Segundo o Tesouro Nacional, em cartilha sobre fraudes divulgada em 2025, as cártulas do Besc têm hoje apenas valor histórico. No caso do Banco Master, os valores declarados nesses documentos superavam R$ 850 milhões.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.