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Bancos ampliam equipes para lidar com empresas em recuperação financeira

Santander elevou de 13 para 33 pessoas a equipe dedicada a companhias com faturamento superior a R$ 80 milhões por ano.

Bancos ampliam equipes para lidar com empresas em recuperação financeira

Bancos e escritórios de advocacia estão reforçando as áreas que acompanham empresas em dificuldade financeira, em meio ao aumento dos pedidos de recuperação judicial e extrajudicial. A elevação dos juros, atualmente em dois dígitos, é apontada por especialistas como um fator que pode manter o movimento nos próximos anos.

No Santander, a equipe responsável por empresas com faturamento superior a R$ 80 milhões por ano passou de 13 pessoas, em 2025, para 33, em 2026. O grupo acompanha 1.500 companhias em dificuldades, incluindo aquelas que estão em recuperação judicial ou extrajudicial.

“Fizemos o movimento de mais do que dobrar o time justamente porque entendemos que teríamos um cenário mais duro até 2027”, disse Thiago Franco Martins, superintendente executivo do banco. Segundo ele, a instituição também ampliou a qualificação dos profissionais e distribuiu parte da equipe pelas principais regionais, embora a maior concentração continue em São Paulo.

Martins afirmou que os casos alcançam empresas de saúde, incorporadoras, varejo e agronegócio. Nos bancos, esse tipo de atendimento costuma ficar concentrado nas áreas de special situations, conhecidas como a “UTI do crédito”. São setores que recebem clientes já em atraso ou com problemas financeiros e tentam estruturar medidas para evitar a falência.

Monitoramento e recuperação de créditos

Uma instituição financeira de grande porte informou que mantém uma equipe de mais de cem pessoas para tratar de empréstimos problemáticos, sem ampliar o grupo. A instituição, porém, incorporou ferramentas de inteligência artificial e análise de dados às avaliações das empresas.

Entre os dados monitorados está o patrimônio pessoal dos controladores. A finalidade é reunir elementos que possam ser usados em processos de desconsideração da personalidade jurídica e facilitar o ressarcimento de empréstimos não pagos.

Dados da Justiça e da Receita Federal compilados pelo monitor da RGF Associados mostram que 6.341 CNPJs estavam em recuperação judicial ao fim de junho. O número cresceu 21,2% em 12 meses. Na recuperação extrajudicial, havia 346 empresas, alta de 38,4%.

A maior recuperação em andamento é a da Raízen, com mais de R$ 61 bilhões. Também entraram com pedido neste ano a Braskem, com cerca de R$ 56 bilhões em dívidas, e a Casas Bahia, com R$ 17,3 bilhões em aberto.

A Exon Partners, fundada por Otávio França em setembro de 2025, presta assessoria a credores e devedores. A empresa começou com um mandato de reestruturação e passou a ter sete, que somam R$ 4 bilhões em passivos. França afirmou que pretende ampliar a equipe de sete colaboradores ao longo do ano.

Escritórios ampliam atuação

O Mattos Filho investiu na área de reestruturação de créditos durante um período de aumento do volume de trabalho, segundo Marcelo Ricupero, sócio de reestruturação e insolvência. Para ele, a atividade deixou de ser vista apenas como cíclica e passou a ter uma demanda mais constante.

Victoria Villela Boacnin tornou-se sócia do escritório no fim de 2025 como parte da expansão da equipe. Ela afirmou que as discussões sobre recuperação judicial costumam começar vários meses antes do pedido. Cada banco tem seu próprio comitê, que leva de duas a três semanas para deliberar, enquanto o devedor avalia a proposta em relação às negociações com os demais credores.

O SOB Advogados reforçou a senioridade da equipe de reestruturação de créditos e insolvência. Gabriel de Orleans e Bragança, sócio do escritório, disse que o trabalho inclui análise econômico-financeira, avaliação de valor e reorganização dos passivos.

Como os bancos reduzem a exposição

As operações de recuperação não devem produzir um efeito amplo sobre os bancos porque as perdas já são esperadas. Quando a situação financeira de uma empresa piora, as instituições provisionam valores, reduzem a exposição, vendem carteiras e restringem novos empréstimos e financiamentos.

Antes dos atrasos, os bancos identificam sinais como a redução de duplicatas, o aumento da antecipação de recebíveis, a diversificação de fornecedores e a blindagem patrimonial. Em alguns casos, os passivos considerados indesejados são vendidos a fundos de renda fixa ou a outras instituições.

A combinação de juros e inadimplência elevados deixa os bancos mais avessos ao risco, encarece e restringe o crédito e pode contribuir para novos pedidos de recuperação e falência. Antes de uma recuperação extrajudicial ou judicial, a instituição pode renegociar a dívida ou cortar a linha de crédito. A concessão de recursos adicionais depende da qualidade das garantias oferecidas, mas nem sempre evita o pedido.

Em casos como os da Raízen e da Braskem, os bancos se reúnem para tentar construir soluções antes de uma recuperação formal.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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