O Banco Central afirmou nesta terça-feira (22) que manterá uma política de juros restritiva para conduzir a inflação à meta, sem indicar qual será o próximo movimento da Selic. A posição consta na ata da reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada.
Na ocasião, a taxa básica de juros caiu de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte seguido. Ao não antecipar a decisão das próximas reuniões, o BC deixou aberta a possibilidade de ajustar a magnitude do ciclo de redução conforme a evolução do cenário econômico. O mercado financeiro passou a projetar mais um corte neste ano e taxa de 13,50% ao ano no fim de 2026.
Inflação e expectativas
O Copom avaliou que os dados mais recentes mostram queda da inflação ao consumidor, tanto no índice cheio quanto na média das medidas subjacentes. As expectativas dos agentes econômicos, porém, continuam acima da meta em todos os horizontes considerados pelo comitê.
Para 2026, 2027 e 2028, as estimativas de inflação do mercado financeiro estão em 4,92%, 4,3% e 3,80%, respectivamente. A meta central é de 3%, com intervalo entre 1,5% e 4,5% desde o início de 2025, quando começou o sistema de meta contínua.
O Banco Central destacou que expectativas desancoradas aumentam o custo da desinflação sobre o nível de atividade. A instituição também afirmou que as evidências de transmissão dos juros altos para a atividade econômica vêm se acumulando gradualmente.
A Selic é o principal instrumento usado pelo BC para conter a inflação. Alterações na taxa afetam o custo do crédito, os empréstimos, os investimentos e o consumo. Como os efeitos da política monetária demoram de seis a 18 meses para atingir plenamente a economia, o Copom considera as projeções de inflação, e não apenas a variação recente dos preços. Neste momento, a instituição mira a meta considerando o primeiro trimestre de 2028.
Riscos para os preços e atividade
O comitê reconheceu que choques de oferta, como a alta recente do petróleo associada ao conflito no Oriente Médio, influenciaram a trajetória recente e as projeções de inflação. A avaliação é que o BC não deve reagir aos efeitos primários desses choques, mas precisa acompanhar possíveis efeitos secundários e agir caso eles se concretizem.
No cenário doméstico, os indicadores das últimas semanas apontam moderação gradual da atividade econômica, especialmente nos setores mais cíclicos. Ainda assim, o BC classificou a atividade como resiliente e o mercado de trabalho como aquecido.
A taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos, enquanto o crescimento da ocupação desacelerou. O Copom afirmou que continuará analisando como o nível de ocupação afeta os rendimentos do trabalho e, posteriormente, os preços de diferentes setores.
Política fiscal
A ata também destacou os efeitos da política fiscal sobre a demanda no curto prazo e sobre a percepção de sustentabilidade da dívida no horizonte mais longo. Essa percepção pode influenciar os juros de mercado cobrados na emissão de títulos públicos.
Para o BC, uma política fiscal contracíclica e capaz de reduzir o prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta. Já o enfraquecimento das reformas estruturais e da disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra e aumentar o custo da desinflação em termos de atividade.
O comitê também apontou incertezas no ambiente externo, relacionadas aos conflitos armados no Oriente Médio e à política monetária de algumas economias avançadas. Para o Banco Central, esse cenário exige cautela de países emergentes diante da maior volatilidade nos preços de ativos e commodities.
Ao final, o Copom reafirmou que as políticas fiscal e monetária devem ser previsíveis, críveis, anticíclicas e harmoniosas.


