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Política

Ex-deputados tentam retornar à Alerj após nova crise no Legislativo do Rio

Pelo menos 23 ex-deputados estaduais buscam voltar à Assembleia, incluindo oito com mais de 70 anos e nomes presos em operações anteriores.

Ex-deputados tentam retornar à Alerj após nova crise no Legislativo do Rio

Pelo menos 23 ex-deputados estaduais tentam retornar à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em um movimento que inclui oito candidatos com mais de 70 anos. A iniciativa ocorre depois de novas investigações sobre o Legislativo fluminense, que já resultaram na prisão de três parlamentares com mandato e na apuração de outros casos pelas polícias Federal e Civil.

Paulo Ramos (MDB), 81, é um dos nomes que buscam voltar à Casa. Deputado federal por três mandatos, incluindo a Assembleia Constituinte, ele foi parlamentar da Alerj de 1999 a 2018 e cumpriu mandato na Câmara entre 2019 e 2022. Ramos afirma que não pretendia disputar a eleição, mas foi incentivado por colegas que encontrou nas ruas do Rio após retornar de Brasília, em 2023.

As investigações atuais tratam de suspeitas de desvio de dinheiro público e de vínculos com organizações criminosas. Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj pelo União Brasil e cotado para disputar o governo do estado, foi preso pela Polícia Federal em março sob suspeita de repassar informações sobre operações policiais a pessoas ligadas ao Comando Vermelho.

Também foi preso o ex-deputado TH Joias. Conforme as investigações da PF, ele teria atuado em favor da facção junto a órgãos públicos e intermediado a compra de armas e equipamentos. Ele se tornou réu no caso relacionado ao CV.

Nomes da antiga composição

Paulo Ramos, que veio da Polícia Militar do Rio de Janeiro, avalia que a defesa dos agentes de segurança perdeu espaço, apesar do crescimento da representação desse grupo. Para ele, a presença de parlamentares envolvidos em suspeitas comprometeu até mesmo o setor associado à defesa da ação policial baseada na força.

Eliomar Coelho (Rede), 85, também tenta retornar. Ele deixou a Alerj em 2023 e afirma que decidiu abrir espaço para políticos mais jovens, mas passou a considerar que parte dessa renovação se associou ao que há de pior na política. “Você abre o jornal e só vê crime sobre o Legislativo. Isso me incomoda”, disse.

A lista inclui ainda Paulo Melo (União), 69, e Edson Albertassi (MDB), 57. Os dois foram presos nas operações Cadeia Velha e Furna da Onça, realizadas entre 2017 e 2018. Melo presidiu a Alerj e exerceu oito mandatos seguidos entre 1990 e 2019. Albertassi foi deputado por seis mandatos.

A Cadeia Velha investigou suspeitas de favorecimento a empresas de ônibus em troca de propina. Já a Furna da Onça apurou um suposto pagamento mensal feito pelo ex-governador Sergio Cabral em troca de apoio político.

O Supremo Tribunal Federal anulou as condenações de Melo e Albertassi em 2022. Em maio deste ano, o Tribunal de Justiça do Rio arquivou os processos da Cadeia Velha por considerar que a Justiça Federal não tinha competência para conduzi-los. Os casos da Furna da Onça foram separados, e parte dos julgamentos continua no Tribunal Regional Eleitoral.

Albertassi nega as acusações e afirma que foi alvo de um “processo muito absurdo”. Segundo ele, o retorno à política permitiria recontar sua trajetória e voltar a colaborar com o estado.

Disputa com novas formas de campanha

André Ceciliano (PT), 58, ex-secretário de assuntos parlamentares do governo Lula (PT), também pretende disputar uma vaga. Sem considerar o atual presidente da Alerj e candidato ao governo do estado, Douglas Ruas (PL), ele é o único entre os cinco últimos presidentes eleitos da Casa que não foi preso. Ceciliano afirma que pode concorrer novamente à presidência, mas ressalva que primeiro precisa ser eleito.

Para José Paulo Martins Junior, professor de ciência política da UFF, é incomum que tantos ex-deputados tentem retornar ao Legislativo ao mesmo tempo. Ele avalia que a principal dificuldade para nomes tradicionais está no modelo atual de campanha, marcado pelo uso de redes sociais, vídeos curtos e plataformas como TikTok e Instagram.

Ramos diz que está tentando se adaptar a esse formato. Ele afirma que a distribuição de panfletos nas ruas perdeu espaço e passou a divulgar nas redes leis de sua autoria, incluindo medidas de proteção animal e uma norma que garante um dia de folga por ano para a realização de exame preventivo de câncer de mama.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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