SÃO PAULO — A JBS S.A. solicitou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o cancelamento de seu registro de companhia aberta na categoria A. A decisão, aprovada em assembleia geral extraordinária, concentra a negociação das ações do grupo na Bolsa de Nova York. A saída ainda depende de aprovação formal da CVM.
A empresa continuará negociando BDRs no mercado brasileiro, mas a emissora das ações passará a ser a JBS N.V., e não mais a JBS S.A. A companhia também seguirá emitindo títulos de dívida destinados exclusivamente a investidores profissionais. Com o cancelamento, a JBS permanecerá listada apenas na categoria B.
Os titulares das debêntures em circulação também aprovaram a medida. Os papéis totalizam R$ 400 milhões e receberam 400 mil votos favoráveis, todos do Itaú Unibanco, que detém a totalidade das debêntures. Não houve votos contrários nem abstenções.
A JBS afirmou que a aprovação dos credores não configura renegociação de dívida. De acordo com a companhia, continuam válidos os direitos dos detentores dos papéis, as obrigações previstas na escritura de emissão e as garantias oferecidas anteriormente.
A decisão ocorre quase duas décadas depois da estreia da JBS na bolsa brasileira e pouco mais de um ano após a transferência da listagem principal para a Bolsa de Nova York. Em junho do ano passado, a empresa concluiu uma operação de dupla listagem e passou a usar a JBS N.V., sediada nos Países Baixos, na estrutura de negociação das ações.
Desde então, os papéis antes negociados na B3 pelo ticker JBSS3 passaram a ser negociados como BDRs, lastreados nas ações listadas na Bolsa de Nova York. A movimentação coincide com a transição de Gilberto Tomazoni para Wesley Batista Filho como CEO da companhia, prevista para janeiro de 2027. A JBS é controlada pelos irmãos Wesley e Joesley Batista.



