Lula chegou aos Estados Unidos no domingo (20) para participar da abertura da Assembleia Geral da ONU. Na segunda-feira (21), o presidente concentrou a agenda nos ajustes finais do discurso e em reuniões com aliados internacionais.
A fala deve apresentar o presidente brasileiro em contraste com Donald Trump em temas como democracia, comércio e paz mundial. Auxiliares de Lula afirmam que a estratégia é destacar a defesa brasileira da cooperação entre países e da soberania nacional.
A equipe política do presidente também pretende usar a participação no evento internacional para apresentá-lo como um “estadista” e diferenciá-lo de Trump, que apoia o senador Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula. A avaliação de integrantes da campanha é que a mensagem pode alcançar eleitores indecisos e sem alinhamento político.
Soberania e interferência eleitoral
Um dos focos previstos é o enfraquecimento do multilateralismo e seus efeitos sobre a vida da população em áreas como segurança e paz, emergência climática, saúde, comércio e soberania nacional. Lula também deve criticar a atuação das Nações Unidas e renovar a defesa de uma reforma do Conselho de Segurança.
O presidente deve abordar conflitos internacionais e ameaças à soberania de países latino-americanos, citando a captura de Nicolas Maduro na Venezuela no início do ano. Também é esperada uma defesa da soberania brasileira, acompanhada de críticas a tentativas externas de interferir nas eleições do país.
Lula não deve mencionar diretamente os Estados Unidos nem Donald Trump. Segundo interlocutores, porém, o discurso terá recados aos EUA e a outros países que, na avaliação do presidente, tentam influenciar o processo eleitoral brasileiro, como Argentina e Israel.
O tema eleitoral não deve ser o centro da fala. Para o governo, ele ganhou relevância porque, na avaliação da diplomacia brasileira, a democracia e o multilateralismo estão sob ataque. Entre as diretrizes tradicionais da política externa que Lula deve reafirmar estão a defesa de negociações de paz, a não interferência em assuntos internos, o respeito ao direito internacional humanitário, o combate ao crime organizado, a proteção do meio ambiente e a inteligência artificial.
Reforma do Conselho de Segurança
Lula defende que o Conselho de Segurança seja ampliado, com a entrada de mais países como membros permanentes, entre eles Japão, Alemanha, África do Sul e Brasil. O órgão tem cinco membros permanentes — Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França — e dez integrantes não permanentes, escolhidos para mandatos de dois anos.
Os membros permanentes têm poder de veto. Para Lula, o envolvimento direto ou indireto de Estados Unidos e Rússia em guerras coloca em dúvida a capacidade do conselho de prevenir conflitos e mediar acordos de paz.
A sucessão na ONU também estará em discussão neste ano. A organização escolherá o próximo secretário-geral depois de Antônio Guterres. O Brasil apoiava a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet e defendia que o cargo fosse ocupado por uma mulher latino-americana, mas ela retirou o nome após perder apoio no Chile.
A Assembleia Geral fará a escolha com base em uma indicação apresentada pelos integrantes do Conselho de Segurança. A orientação dada a Lula é destacar iniciativas brasileiras e a importância da cooperação internacional, sem direcionar a fala especificamente a Trump, ao Primeiro Comando da Capital (PCC) ou a episódios recentes ligados ao tema.


