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BRB vende à XP créditos do Master por R$ 304,6 milhões

Operação envolveu seis CCBs da Esfera Aquisições Imobiliárias e foi autorizada pelo STF após bloqueios judiciais sobre os ativos.

BRB vende à XP créditos do Master por R$ 304,6 milhões
Foto: Folhapress

O Banco de Brasília (BRB) vendeu ao Banco XP, por R$ 304,6 milhões, seis créditos que havia recebido do Master. O negócio foi formalizado em 21 de agosto e envolveu Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) da Esfera Aquisições Imobiliárias.

O valor econômico dos créditos chegava a R$ 400,7 milhões, o que significa que a XP os adquiriu com deságio. Pessoas envolvidas nas negociações afirmaram que o BRB recebeu o pagamento à vista, com entrada dos recursos em setembro.

As condições estão registradas em um contrato de cessão e aquisição de créditos que integra os documentos das investigações sobre as operações entre o BRB e o Master. A administração do banco estatal do Distrito Federal pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para concluir a transação, porque os ativos da carteira do Master estavam sob bloqueio judicial.

Ativos recebidos do Master

No ano passado, o BRB recebeu ativos do Master como compensação pela compra de carteiras de crédito sem lastro produzidas no banco de Daniel Vorcaro. Entre esses ativos estava uma participação no Fundo Trevi, que tinha outros dois sócios e abrigava a Esfera Aquisições Imobiliárias, tomadora dos empréstimos.

Vorcaro também transferiu ao BRB a titularidade dos créditos. Com isso, o banco passou a ocupar simultaneamente as posições de credor e devedor na operação. O grupo RZK Empreendimentos, um dos sócios do fundo, unificou a operação e comprou a participação dos outros dois sócios, incluindo a do BRB. Assim, tornou-se o único devedor das CCBs e pagou R$ 35 milhões ao banco, também à vista e em setembro.

Na sequência, o BRB concluiu a venda das CCBs para a XP. O banco também vendeu a participação no fundo ligado ao projeto imobiliário que deu origem à dívida.

Garantias e autorização judicial

O BRB pediu ao STF a liberação de 23 imóveis que permaneciam com restrições na Central Nacional de Indisponibilidade de Bens (Cnib). Os imóveis eram garantias dos créditos adquiridos pelo banco.

Em 28 de agosto de 2026, o ministro André Mendonça determinou o cancelamento das indisponibilidades. Em 3 de setembro, a 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal comunicou que a determinação já tinha sido executada; com isso, o BRB apareceu no sistema sem restrições e pôde concluir a operação.

O Master era o credor original. Em junho de 2025, os créditos passaram para o BRB e, pouco mais de um ano depois, foram negociados com a XP. As seis CCBs vencem entre janeiro e agosto de 2029. Os saldos eram de R$ 110,6 milhões, R$ 51,2 milhões, R$ 28,8 milhões, R$ 63,1 milhões, R$ 62,4 milhões e R$ 84,6 milhões. Todas tinham imóveis da Esfera como garantia por alienação fiduciária.

Entre as exigências da XP estavam auditorias jurídica, técnica, contábil, de crédito e fiscal sobre os créditos e as garantias. A compradora também exigiu a comprovação do registro das CCBs na B3 e documentos da transferência anterior dos créditos, do Master para o BRB.

BRB e XP foram procurados, mas o banco informou que não comentaria por causa de sigilo comercial, e a XP não se manifestou.

A venda ocorreu durante as discussões sobre o resgate do BRB após prejuízos relacionados à compra de carteiras de crédito e outros ativos sem lastro do Master. O dinheiro da operação reforçou o caixa do banco, que enfrenta dificuldade de liquidez. O governo do Distrito Federal ainda não havia fechado com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) o empréstimo necessário para o aumento de capital exigido pelo Banco Central.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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