WASHINGTON — China e Estados Unidos concordaram em reduzir tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias comercializadas entre os dois países. O entendimento abrange produtos agrícolas, alimentos, cosméticos, eletrodomésticos, brinquedos e itens de decoração.
Cada país recomendou US$ 30 bilhões em bens não sensíveis para receber tratamento tarifário mais favorável, informou o Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, em comunicado divulgado no domingo (27). Segundo Greer, a medida representa um acesso melhor ao mercado chinês para cerca de 30% das exportações americanas destinadas à China.
Entre os produtos dos Estados Unidos que terão tarifas reduzidas estão milho, trigo, sorgo, carne, laticínios, óleos vegetais e farinhas. A soja não aparece na lista divulgada pela Casa Branca. Também foram incluídos peixes e frutos do mar, toras e produtos de madeira, cosméticos e dispositivos médicos.
A relação de cortes tarifários aplicados por Washington inclui pequenos eletrodomésticos chineses, como cafeteiras e torradeiras, além de louças, cobertores, roupas de cama, brinquedos, fogos de artifício, flores artificiais, luzes para árvores de Natal, outras decorações festivas e cadeirinhas infantis para carros.
Trégua e agricultura
O Ministério do Comércio da China informou nesta segunda-feira (28) que a trégua comercial com os Estados Unidos será prorrogada por dois meses, até 10 de janeiro. O período permitirá que os dois lados avaliem o acordo em andamento e discutam como avançar em questões econômicas e comerciais.
O ministério também informou que os países manterão conversas regulares sobre oportunidades e barreiras de investimento. Um grupo de trabalho sobre agricultura será criado e realizará a primeira reunião antes do fim do ano, com foco no acesso aos mercados e na regulamentação.
A seleção chinesa de produtos parece relacionada ao compromisso de US$ 17 bilhões em compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos mencionado pela Casa Branca. A China já retomou a compra em grande escala de soja americana, dentro de um acordo para adquirir 25 milhões de toneladas métricas anualmente.
Carvão, inteligência artificial e voos
A Casa Branca informou ainda que a China importará 10 milhões de toneladas métricas de carvão dos Estados Unidos anualmente em 2027 e 2028. O volume corresponde aproximadamente a 2% das importações anuais chinesas de carvão. Gás natural liquefeito e petróleo não foram incluídos na lista.
Na área de inteligência artificial, os governos estabelecerão um canal de comunicação para incidentes e farão um diálogo de acompanhamento até o final de novembro. A China também analisará e aprovará instituições estrangeiras de serviços financeiros, incluindo empresas com capital americano, para operar e abrir filiais no país.
Os dois lados ainda manterão comunicação sobre o aumento do número de voos entre China e Estados Unidos.


