O dólar operava em alta nesta sexta-feira (11), apesar da deflação registrada pelo Brasil em agosto. Às 15h46, a moeda americana avançava 0,56%, cotada a R$ 5,130, enquanto o Ibovespa recuava 0,94%, aos 186.488 pontos.
O IBGE informou que o IPCA caiu 0,32% no mês. A principal contribuição veio da energia elétrica, cuja tarifa diminuiu 7,63% sob efeito temporário do bônus de Itaipu. Também houve recuo nas passagens aéreas, de 13,17%, além de quedas em alimentos e combustíveis.
Marcelo Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, considerou o resultado positivo e disse que o dado pode abrir espaço para um novo corte de juros na próxima reunião do Copom. “Com os juros altos na casa de 14%, um dos impactos a médio e longo prazo é exatamente este: uma demanda por bens e produtos em desaceleração e, como consequência, uma deflação no período”, afirmou.
Rafael Sueishi, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, destacou que os serviços continuam como ponto de atenção. Os serviços subjacentes aceleraram na margem para perto de 4,9%, enquanto os segmentos mais intensivos em mão de obra permanecem em torno de 7%. Essa parte da inflação é mais relacionada ao mercado de trabalho, aos salários e à renda e tende a ser mais persistente, segundo o especialista.
Inflação americana influencia mercados
A queda do Ibovespa acompanhou o movimento observado no exterior. Os investidores reagiram aos dados do CPI dos Estados Unidos, divulgados antes da reunião do Fed, marcada para os dias 15 e 16 de setembro.
A inflação ao consumidor americana acelerou em agosto, impulsionada pelo aumento da gasolina após duas quedas mensais seguidas. O resultado fortaleceu as apostas de que o Federal Reserve poderá elevar os juros na próxima semana.
Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, disse que a aceleração surpreendeu. “Acredito que o dado contribui para o Banco Central americano aumentar as taxas de juros na semana que vem”, afirmou.
Flores também apontou fatores que podem levar o Fed a manter a taxa estável, como revisões metodológicas no PCE e a possibilidade de uma alta antes das eleições de meio de mandato ser interpretada como decisão política.
O FedWatch, do CME Group, indicava 86,7% de probabilidade de aumento para o intervalo entre 3,75% e 4%. A chance de manutenção da faixa entre 3,5% e 3,75% era de 13,3%.
Em Wall Street, os índices subiam mesmo após os dados americanos. Às 15h48, o Dow Jones avançava 1%, o S&P 500 ganhava 0,98% e o Nasdaq tinha alta de 1,11%.
Juros futuros e petróleo
As taxas dos DIs caíam, em reação à deflação acima do esperado pelo mercado no Brasil. O movimento ocorreu na direção oposta à dos Treasuries, cujos rendimentos avançavam.
Às 9h47, o DI para janeiro de 2028 era negociado a 13,555%, com baixa de 0,08 ponto percentual. O contrato para janeiro de 2035 estava em 14,03%, após recuo de 0,13 ponto percentual.
Os investidores também acompanhavam os desdobramentos da crise no STF, depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte do caso Master.
A guerra no Irã continuava influenciando o petróleo. O Brent chegou perto de US$ 110 no início da sessão, mas passou a cair após a possibilidade de uma reunião entre representantes do Irã e de países do Golfo Pérsico para discutir o estreito de Hormuz. Às 15h49, o contrato para abril era negociado a US$ 104, com queda de 2,45%.
A passagem está bloqueada para a navegação desde 28 de fevereiro. Nesta sexta-feira (11), os houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, avançaram em direção ao controle do estreito de Bab el-Mandeb, ao sul do mar Vermelho. O grupo tomou uma cidade e uma ilha consideradas importantes para o tráfego marítimo.
Imagens de satélite também mostraram fumaça saindo de um oleoduto que conecta áreas produtoras de petróleo da Arábia Saudita ao porto de Yanbu. Na véspera (10), os houthis anunciaram o controle de Mocha. A rota pelo Bab el-Mandeb passou a ser usada para transportar até 70% da produção de petróleo de Riad após o bloqueio de Hormuz.



