O petróleo voltou a superar US$ 100 nesta quarta-feira (9), em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. A alta reacendeu preocupações sobre a oferta global da commodity, a inflação e os juros, enquanto investidores também monitoraram o cenário político e eleitoral brasileiro.
O barril do Brent, referência internacional, subiu 3,36% e fechou cotado a US$ 101,21. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançou 3,25%, para US$ 96,05.
A escalada ocorreu após ataques envolvendo os Estados Unidos e o Irã. Segundo autoridades americanas, navios petroleiros iranianos ligados à Guarda Revolucionária foram atingidos em retaliação a uma tentativa do Irã de atacar um navio da Marinha dos Estados Unidos. O conflito entre os dois países já dura seis meses.
Os ataques dos Houthis também aumentaram as preocupações com os embarques de petróleo pelo Mar Vermelho, rota alternativa ao Estreito de Ormuz. Antes da guerra, cerca de 20% do comércio mundial de petróleo passava pelo estreito, cujo fluxo foi reduzido desde o início do conflito.
Um porta-voz militar dos Houthis afirmou que o grupo anunciará uma ampla operação em território saudita, sinalizando uma nova escalada. O aumento das tensões levou bancos a elevar projeções para o preço do petróleo. Uma alta prolongada da commodity pode aumentar os custos de energia e pressionar a inflação global, com possíveis impactos sobre as decisões de bancos centrais.
Investidores passaram a precificar 60% de chance de uma nova alta dos juros nos Estados Unidos neste mês, segundo o CME Group. A manutenção das taxas americanas em nível elevado também aumenta a pressão para que a Selic permaneça alta por mais tempo e afeta o câmbio brasileiro.
No Brasil, o mercado acompanhou uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino determinou a reintegração imediata de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa à chefia da Diretoria de Inteligência Policial.
A decisão atendeu a um pedido de Rodrigues em um processo que tramita no STF, um dia depois de André Mendonça determinar o afastamento dos servidores. Dino também determinou que os dois permaneçam protegidos contra novas medidas cautelares relacionadas ao cumprimento regular de ordens judiciais.
Dino é relator de um inquérito sobre o repasse de emendas parlamentares federais a uma produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão afirmou que o afastamento prejudicaria o andamento dessa e de outras apurações urgentes sob sua relatoria.
O ambiente político também envolve uma disputa entre Mendonça e Alexandre de Moraes no inquérito do Banco Master. Moraes é um dos principais alvos de Flávio Bolsonaro na disputa eleitoral com Luiz Inácio Lula da Silva.
No exterior, os principais índices de Wall Street fecharam em queda. O Dow Jones recuou 0,76%, o S&P 500 perdeu 0,47% e o Nasdaq Composite caiu 0,62%. Na Europa, o STOXX 600 caiu 1,4%, aos 640,41 pontos. O DAX recuou 1,66%, o CAC-40 perdeu 1,94% e o FTSE 100 desvalorizou 1,31%.
Na Ásia, o SSEC e o CSI300 subiram 0,30%, enquanto o Hang Seng caiu 0,20%. O Nikkei recuou 0,19% e o Kospi avançou 1,40%.



