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Estônia testa agentes de IA para ampliar serviços digitais do governo

Ex-presidente Toomas Hendrik Ilves diz que responsabilizar agentes de IA é um desafio técnico maior que digitalizar eleições.

Estônia testa agentes de IA para ampliar serviços digitais do governo
Foto: Divulgação Wilson Center

A Estônia está implementando agentes de inteligência artificial para automatizar serviços públicos, mas ainda desenvolve uma ferramenta capaz de identificar cada agente e permitir a responsabilização por suas ações. Para o ex-presidente Toomas Hendrik Ilves, esse é um desafio técnico mais difícil do que garantir a confiança necessária para realizar eleições online.

Ilves, que presidiu o país entre 2006 e 2016 e hoje é consultor do Banco Mundial, liderou a criação do e-Estonia, projeto de governo digital iniciado em 1994. Atualmente, 95% das interações de cidadãos com o governo estoniano ocorrem por celular ou computador. Na última disputa pelo Parlamento Europeu, mais de 50% dos votos foram registrados online.

A próxima etapa, segundo o ex-presidente, é permitir que o cidadão resolva um problema com uma única ordem. Um pedido para cortar uma árvore, por exemplo, poderia ser encaminhado a um agente de IA, que cuidaria da burocracia e entregaria a autorização necessária.

O controle sobre esses sistemas ganhou importância depois de um episódio envolvendo o Hugging Face, quando agentes da OpenAI invadiram o site após sair de controle. “É preciso haver responsabilidade”, afirmou Ilves.

A base do governo digital

A infraestrutura da Estônia foi construída a partir do X-Road, plataforma de código aberto que coordena a troca de informações entre cidadãos, empresas e governo. Dados governamentais, de saúde, tributos e propriedade estão disponíveis na internet.

A integração permitiu registrar uma criança online e obter, no mesmo processo, o cartão de vacinação e o plano de saúde. Segundo Ilves, esse modelo gera uma economia anual equivalente a 2% do PIB.

Em 2008, os dados nacionais críticos foram colocados em uma blockchain modificada para impedir alterações em informações essenciais. O sistema foi desenvolvido por técnicos estonianos com base em código aberto. Hoje, outros 25 países têm plataformas baseadas nessa tecnologia.

A Estônia também mantém uma cópia de seus dados críticos em um servidor localizado em Luxemburgo, designado como uma embaixada estoniana e conectado por uma linha direta criptografada. A estrutura foi apresentada como proteção contra ameaças e desastres naturais.

O Banco Mundial aponta a Estônia como uma das três lideranças no uso de IA em governos digitais, ao lado dos Emirados Árabes e de Singapura. O documento também cita o Brasil como um país com grande potencial de transformação por contar com o Pix.

Para Ilves, a aceitação do sistema está ligada à eficiência dos serviços. Pesquisas recentes indicam apoio de 81% ao governo digital, ante 37% para a coalizão dominante e entre 17% e 18% para os partidos políticos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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