O Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. A estimativa anterior havia sido divulgada em julho, e a nova previsão representa uma queda de 0,3 ponto percentual.
A revisão foi atribuída principalmente à desaceleração dos setores de serviços e indústria. A agropecuária compensou parte desse movimento. Para os serviços, a Fazenda citou o desempenho mais fraco deixado pelo primeiro semestre e o efeito atrasado da política monetária sobre a demanda doméstica.
A projeção para a inflação medida pelo IPCA também foi alterada. A expectativa para este ano passou de 5,1% para 4,9%, após o índice ficar abaixo do esperado em julho, especialmente nos preços da alimentação doméstica e dos serviços. A política monetária conduzida pelo Banco Central e a previsão de perda de ritmo da atividade no segundo semestre também influenciaram a revisão.
Para 2027, a Fazenda reduziu a estimativa de crescimento do PIB de 2,5% para 2,3%. Já a projeção de inflação subiu de 3,6% para 3,8%, em parte pelos possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a colheita.
Receitas e despesas
As estimativas foram divulgadas nesta terça-feira (22), no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. O documento também informou que a receita total aumentou 5,7% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O avanço correspondeu a R$ 99,6 bilhões e foi associado pela Fazenda ao preço internacional do petróleo, à atividade econômica interna e aos rendimentos financeiros.
Nas receitas não administradas, o aumento relacionado ao petróleo foi parcialmente compensado pela redução dos dividendos pagos por estatais e bancos públicos. Esses dividendos recuaram 58%, uma queda de R$ 14,5 bilhões.
A despesa total cresceu 6,2% em termos reais, acima do ritmo da receita. Segundo a Fazenda, o resultado refletiu despesas obrigatórias e a alta das despesas discricionárias, principalmente nas áreas de saúde e educação.
A secretária de Política Econômica, Débora Freire, afirmou que o prolongamento da guerra no Irã mantém um “choque persistente” nos preços do petróleo. Ela disse que o barril Brent está na casa dos US$ 100 (R$ 511) e que o cenário permanece incerto. No mercado doméstico, Freire apontou continuidade da desaceleração da atividade no segundo trimestre, enquanto o mercado de trabalho segue sustentando a demanda interna.


