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Mineração amplia automação, mas enfrenta falta de profissionais especializados

Caminhões autônomos e inteligência artificial aumentam a segurança, enquanto empresas e universidades buscam formar trabalhadores para a transição.

Mineração amplia automação, mas enfrenta falta de profissionais especializados
Foto: Jardiel Carvalho/Folhapress

A mineração brasileira amplia o uso de inteligência artificial, automação e equipamentos autônomos para reduzir riscos e aumentar a produtividade, mas ainda enfrenta a falta de profissionais preparados para operar essa estrutura. Também permanece sem definição quem será responsabilizado por uma falha em sistemas automatizados: o software, o fabricante ou o operador.

O diagnóstico foi apresentado por especialistas no Seminário Inovação Aplicada à Mineração, realizado na segunda-feira (21). O encontro discutiu vantagens competitivas, segurança, inovação e os obstáculos para a adoção de novas tecnologias no setor.

Luis Fernandes, ministro substituto da Ciência, Tecnologia e Inovação, defendeu que o Brasil transforme sua riqueza mineral em conhecimento, tecnologia e produtos de maior valor agregado. Ele afirmou que os minerais ganharam importância na disputa geopolítica mundial por serem necessários às tecnologias avançadas.

“Ou o país desenvolve capacidade própria de agregação de valor ou se sujeita a um novo estatuto de dependência colonial”, disse Fernandes. Para o ministro, o país tem matriz energética limpa, base científica e diversidade mineral, mas precisa ampliar a capacidade de escalar tecnologias, formar competências e desenvolver produtos tecnológicos internamente.

Tecnologia e segurança

José Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração da Cedro Mineração, citou a perda de participação brasileira no mercado internacional de minério de ferro nas últimas duas décadas. A fatia do Brasil caiu de 21% para 17%, enquanto a da Austrália subiu de 18% para 37%. Segundo ele, a adoção de tecnologias de ponta contribuiu para tornar as minas australianas mais produtivas.

Na Samarco, o desafio tecnológico após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), no final de 2015, é operar com disposição de rejeitos sem o uso de barragem. Bruno Pimentel, gerente de inovação da empresa, afirmou que o material é filtrado, empilhado sob controle geotécnico e acompanhado por milhares de instrumentos, que funcionam 24 horas por dia com modelos preditivos de inteligência artificial.

Julio Cesar Nery Ferreira, diretor de assuntos minerários e de sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Mineração, afirmou que sistemas de controle mais rígidos passaram a ser exigidos pela Agência Nacional de Mineração após uma ação civil pública relacionada aos desastres de Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019.

Na BHP, um programa que transforma sugestões de colaboradores em provas de conceito recebeu quase mil propostas sobre robótica e automação. Entre as iniciativas estão monitoramento viário por inteligência artificial, manutenção robótica, limpeza subaquática e tecnologias para retirar pessoas de tarefas de maior risco.

Formação profissional

A transição de operações manuais para modelos mais autônomos exige trabalhadores com novas habilidades. Pimentel mencionou a contratação de pessoas com perfil de gamer para operar minas remotamente, mas disse não saber se essa tendência permanecerá.

Ana Carolina Russo, professora de engenharia de Minas da Poli-USP, afirmou que parte dos estudantes formados migra para o setor financeiro. Para ela, a universidade precisa tornar a mineração mais atrativa e enfrentar o estigma associado à atividade.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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