BRASÍLIA — A jornalista Sônia Maria Dunshee de Abranches Carneiro, conhecida como Soninha, morreu na madrugada de domingo (20), aos 74 anos, no apartamento onde morava em Brasília. A família não informou a causa da morte.
Nascida no Rio de Janeiro, em 15 de outubro de 1951, Sônia foi repórter da rádio Jornal do Brasil e acompanhou a rotina do comitê de imprensa do Palácio do Planalto e da Câmara dos Deputados. Ela ficou conhecida por abordar autoridades de maneira direta e irreverente, levando entrevistados a responderem mesmo quando tentavam evitar os jornalistas.
Em uma das cenas que marcaram sua carreira, perseguiu o então senador Albano Franco (SE) pelo saguão do Palácio do Planalto, enquanto pedia que ele parasse para falar. O gravador portátil que usava recebeu o apelido de periquita. O equipamento era pesado, tinha várias teclas e reproduzia as frases gravadas de forma semelhante ao som do pássaro.
Cobertura política
Sônia cobriu a Constituinte de 1988, o Colégio Eleitoral de 1985, as Eleições Diretas de 1989 e o impeachment de Collor, além de outros acontecimentos da história recente do Brasil. O jornalista Jorge Bastos Moreno a descrevia como intrépida e irreverente.
Durante o debate sobre a sucessão presidencial, ela perguntou ao então presidente João Figueiredo se haveria prévias no PDS, partido fundado em 1980 e sucessor da Arena. Figueiredo respondeu que não. Naquele período, Paulo Maluf foi escolhido pelo partido e perdeu para Tancredo Neves na eleição realizada pelo Colégio Eleitoral.
A relação anterior com Fernando Collor de Mello, seu colega no Jornal do Brasil antes de ele entrar na política, também marcou a trajetória da repórter. Em uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto, Sônia perguntou se o presidente estava com Aids. Collor respondeu que não estava doente.
Além da atuação diante das autoridades, Sônia era reconhecida pela disposição em ajudar outros jornalistas. Emprestava seu gravador, compartilhava informações e apoiava especialmente os profissionais mais novos.
Nos últimos anos, depois de uma cirurgia bariátrica, deixou de acompanhar as fontes pelas dependências do poder e passou a assessorar o ministro da Defesa e, depois, o senador Jaques Wagner (PT-BA). Sônia deixa dois filhos, Terence e Daniel Zveiter, e netos.




