A Caixa Econômica Federal tenta encerrar a greve nacional dos bancários por meio de negociação e não deve levar o caso ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). A paralisação chega ao 13º dia nesta quarta-feira (23), enquanto o Banco do Brasil já fechou acordo e os Correios terão o caso analisado pelo TST nesta quinta (24).
Os trabalhadores da Caixa, do Banco do Brasil e dos Correios iniciaram as paralisações em 10 de setembro. O principal ponto de impasse é o plano de saúde. As empresas públicas propuseram mudanças nas regras e nas cobranças para enfrentar o déficit, mas os empregados não aceitaram as condições.
Em nota, a Caixa afirmou que "segue empenhada na construção de uma solução que preserve os interesses dos empregados, da instituição, dos clientes e da sociedade brasileira".
Proposta para o Saúde Caixa
A proposta da Caixa eleva de 6,5% para 9% o teto de participação da empresa no custeio do Saúde Caixa a partir de 2027. O pacto intergeracional e o convênio no acordo coletivo seriam mantidos, sem cobrança diferenciada por faixa etária.
Não haveria reajuste nas mensalidades em 2026, e a Caixa assumiria o déficit do plano. A partir de 2027, o titular pagaria 3,7% da remuneração-base. A mensalidade do dependente direto seria de R$ 560. Para dependente indireto com idade entre 21 e 24 anos, o valor seria de R$ 660. Para filhos de 24 a 27 anos e pais ou mães remanescentes, a mensalidade seria de R$ 900. O limite do grupo familiar, formado pelo titular e pelos dependentes diretos, ficaria em 9%.
A instituição também propôs reduzir de R$ 150 para R$ 120 a cobrança por consulta em pronto atendimento e manter a isenção de coparticipação em atendimentos por telemedicina. O reajuste de 4,6% já pago aos demais bancários seria garantido, percentual que representa 0,6% acima da inflação do período.
Para os empregados da Caixa, porém, o custo do plano poderia consumir o reajuste real dos salários.
Pagamentos, financiamentos e FGTS
A greve não impede o pagamento de contas e boletos. A Caixa mantém os canais digitais e os caixas eletrônicos em funcionamento. Os clientes podem usar caixas eletrônicos, aplicativo e site da Caixa, WhatsApp Caixa pelo 0800-1040104, Caixa Tem, Aplicativo Cartões Caixa, Aplicativo Habitação Caixa, Aplicativo FGTS, correspondentes Caixa Aqui, Aplicativo DPVAT, Alô Caixa pelos números 4004-0104, nas capitais e regiões metropolitanas, e 0800-1040104, nas demais localidades, além da rede Banco24Horas.
As agências permanecem fechadas, mas trabalhadores terceirizados podem orientar os clientes. Nos financiamentos imobiliários, o atendimento varia conforme a unidade e a área envolvida. Funcionários que não aderiram à paralisação conseguem, em algumas agências, receber documentos, esclarecer dúvidas e dar andamento às propostas. Outras fases dependem de setores regionais ou de áreas afetadas pela greve.
A conferência dos documentos do comprador, do vendedor e do imóvel, a análise de propostas, a liberação e o recebimento de documentos e a assinatura dos contratos estão entre as etapas comprometidas. Compradores e vendedores podem adiantar documentos pessoais, comprovantes de renda, a matrícula atualizada do imóvel e as informações dos vendedores. Também podem corrigir pendências, acompanhar a avaliação de engenharia e manter contato com o correspondente responsável.
"Ficar parado durante a greve pode aumentar ainda mais o prazo da compra [quando a greve acabar]", disse Murilo Arjona, especialista em financiamento imobiliário.
Todas as modalidades de saque do FGTS podem ser solicitadas pelo aplicativo, exceto a que usa os recursos para a casa própria. O trabalhador pode indicar uma conta de sua titularidade em qualquer instituição para receber os valores, sem ir a uma agência.
Nem todas as etapas internas são automáticas: conforme o tipo de pedido, há processos e controles com supervisão humana. Em geral, os saques são processados em até cinco dias úteis. Para doenças graves, o prazo inicial é de 30 dias úteis, contados a partir do recebimento do pedido, porque é necessário avaliar a situação e emitir um parecer.



