SÃO PAULO — O Hopi Hari enfrenta uma nova crise de reputação enquanto tenta retomar o crescimento após deixar a recuperação judicial em 2025. O parque de diversões de Vinhedo (SP) prevê R$ 150 milhões em investimentos nos próximos cinco anos e estabeleceu a meta de alcançar receita de R$ 500 milhões em 2029. O faturamento anual atual é de cerca da metade desse valor.
A crise começou após uma jovem sofrer traumatismo craniano na montanha-russa Montezum, em abril deste ano. Júlia Bossoni, 21, convulsionou durante o percurso, marcado por movimentos bruscos de aceleração e desaceleração, e voltou desacordada à plataforma.
Investigações e suporte à família
O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil investigam o caso e fizeram perícias na atração. O Hopi Hari afirma que a Montezum tem certificação internacional emitida pelo Grupo TÜV Nord, passa por inspeções periódicas e segue as normas técnicas aplicáveis.
A jovem foi levada à Santa Casa de Vinhedo. Exames identificaram hemorragia intracraniana e grande edema cerebral. Júlia ficou 57 dias internada e perdeu parte dos movimentos. A família afirmou que o parque pagou despesas de hospedagem e alimentação durante a internação. Depois do retorno a Londrina (PR), segundo os familiares, foram pagos R$ 7.000 pelo transporte de ambulância.
Em nota, a empresa disse lamentar o ocorrido e afirmou ter retomado o suporte à família. Também declarou que a atração tem rotinas de manutenção preventiva diária, semanal, mensal e periódica, além de sinalização visual e sonora e orientações sobre características, recomendações e restrições de uso.
Para Marcos Bedendo, fundador da consultoria Brandwagon, problemas de segurança podem reduzir a capacidade de o parque recuperar o fluxo de consumidores. Ele afirmou que a segurança é central para a operação de um parque de diversões e que o acúmulo de ocorrências pode levar o público a avaliar o empreendimento de forma negativa.
Alexandre Rodrigues, ex-CEO do Hopi Hari e atual consultor de empresas, disse que a modernização será necessária para manter a relevância do parque. Ele citou a chegada do Cacau Park, megaparque temático da Cacau Show previsto para 2027 em Itu, no interior paulista.
Entre junho de 2025 e junho de 2026, o parque foi condenado em primeira instância em quatro processos por lesões sofridas por visitantes depois de passarem pela Montezum.
Investimentos e histórico financeiro
Inaugurado em 1999, o Hopi Hari teve dificuldades de gestão na última década e enfrentou acidentes graves envolvendo clientes. A empresa pediu recuperação judicial em 2016. Naquele período, foi acusada de atrasar pagamentos de salários, 13º e convênio médico.
O endividamento, então avaliado em mais de R$ 300 milhões, chegou a R$ 1,4 bilhão durante a aprovação do processo pelos credores na Justiça. A empresa passou a ser controlada pela Brooklyn International Group, com sede nos Estados Unidos.
Em 2021, o parque fechou um acordo para reestruturação, expansão e desenvolvimento, com promessa de aporte de até US$ 500 milhões, equivalente a R$ 2,8 bilhões em valores da época. O Hopi Hari saiu da recuperação judicial em 2025.
Dos R$ 150 milhões previstos para os próximos cinco anos, R$ 30 milhões foram aportados recentemente. Os recursos serão usados no retrofit da Montezum, no aumento da capacidade operacional e na melhoria da infraestrutura. A administradora também planeja construir um shopping center e um complexo de hotéis no entorno do parque.
Mais de 850 mil pessoas visitaram o Hopi Hari neste ano, e 487 mil passaram pela Montezum. A empresa afirmou que a frequência vem crescendo e que trabalha em uma nova fase, com estrutura financeira mais equilibrada, foco na sustentabilidade da operação e retomada dos investimentos.
Wilson Sanches, diretor-geral da consultoria Domínio Financeiro, afirmou que uma eventual queda de receita pode provocar um efeito cascata na operação, com risco de demissões. Segundo ele, parques têm despesas fixas recorrentes elevadas e, quando o faturamento cai, parte do espaço e da força de trabalho fica ociosa.



