SÃO PAULO — A Promolivros estima faturar cerca de R$ 180 milhões neste ano com a venda de livros. A rede, comandada pelo empresário Samuel Honorato, 44, comercializa títulos a partir de R$ 15 e opera também com a marca BoraLê.
O modelo combina lojas temporárias em shopping centers e participação em feiras literárias. As unidades são instaladas por períodos determinados, principalmente em empreendimentos voltados às classes C, D e E. Honorato afirma que a quantidade de lojas varia entre 180 e 230, conforme as oportunidades disponíveis.
Na Bienal do Livro de São Paulo, realizada entre 4 e 13 de setembro, a empresa ocupou 740 metros quadrados e calcula ter vendido cerca de 300 mil livros. O faturamento no evento passou de R$ 4 milhões, segundo o empresário.
Estoque de editoras e livrarias
Honorato fundou a empresa em 2014, depois de trabalhar nas áreas comerciais do Grupo Novo Século e da editora Novo Conceito. Ele usou cerca de R$ 40 mil recebidos em uma rescisão para comprar um lote de aproximadamente 12 mil livros que uma grande rede de livrarias não conseguia devolver às editoras.
A operação começou com estoques parados de editoras e livrarias como Fnac e Saraiva. A Fnac encerrou sua operação no Brasil em 2017, enquanto a falência da Saraiva foi decretada em 2023.
O empresário atribui parte de sua entrada no setor à influência do pai, Edson Honorato, que trabalhou como comprador da rede Siciliano. Edson morreu em 2016. A rede foi posteriormente comprada pela Saraiva.
Os livros vendidos pela Promolivros e pela BoraLê têm tíquete médio de até R$ 20, enquanto o preço médio nacional informado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros é de R$ 53,19. Honorato afirma que a estratégia depende da negociação com editoras para adquirir obras de fundo de catálogo ou tiragens maiores que o necessário.
Expansão em feiras e lojas
Para a Bienal do Livro do Rio de Janeiro de 2027, Honorato planeja um espaço superior a 800 metros quadrados. O valor informado para o metro quadrado do evento é de R$ 1.007 para inscrições feitas até 15 de outubro de 2026.
A empresa também utiliza espaços vagos em shoppings para abrir lojas temporárias. Em uma unidade no Barra Shopping, no Rio de Janeiro, informou ter pago cerca de R$ 100 mil por um contrato de 30 dias.
Além das redes de livros, Honorato administra franquias das marcas Gendai, Milky Moo e Mundo dos Colecionáveis. No raio-x da empresa, a Promolivros aparece com sede em Cotia (SP), entre 180 e 200 lojas e faturamento de R$ 125 milhões em 2025. Amazon, Livraria Leitura e Livraria da Vila são listadas como concorrentes.
A empresa também foi citada em relatos de consumidores no portal Reclame Aqui sobre a falta de notas fiscais em compras. Honorato afirma que os problemas foram pontuais e que o sistema das lojas está sendo trocado. Ele diz que a rede realiza mais de 200 mil vendas por mês e que possui mais de 180 lojas.



