O comércio internacional continua superando as projeções da Organização Mundial do Comércio (OMC), mas a diretora-geral da entidade, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou que parte desse desempenho está concentrada em produtos ligados à inteligência artificial (IA) e em poucos países.
No último ano, bens relacionados à IA responderam por 42% do crescimento do comércio global, segundo Okonjo-Iweala. Esse movimento foi impulsionado, entre outros fatores, por um acordo de tecnologia da informação que mantém tarifas baixas ou zero para cerca de US$ 3 trilhões em semicondutores, chips e processadores.
Comércio supera previsões
A OMC havia projetado alta de 2,4% no comércio de bens no ano passado, mas o resultado chegou a 4,6%. Para este ano, a previsão era de crescimento de 1,9%; no primeiro trimestre, a expansão já alcançou 3,2%.
A diretora-geral também afirmou que 72% do comércio mundial ainda segue as regras de nação mais favorecida da OMC. O mecanismo determina que vantagens comerciais concedidas a um parceiro sejam estendidas aos demais.
Na avaliação de Okonjo-Iweala, a permanência desse percentual mostra que o núcleo do sistema multilateral continua relevante para as empresas, mesmo com a expansão de acordos bilaterais e regionais.
Benefícios concentrados
Em entrevista a jornalistas estrangeiros, a dirigente alertou que África, América Latina e outras economias emergentes não participam de forma ampla do novo ciclo de crescimento associado à IA. Cerca de 11% da renda do comércio global de mercadorias já é afetada por medidas protecionistas, o maior nível em uma década e meia.
Okonjo-Iweala também questionou a capacidade de o atual ritmo de expansão se manter. “Temos que ser um pouco cautelosos sobre duas coisas sobre o tráfego da IA: uma é se é sustentável, se é uma bolha ou se ela vai estourar em algum momento, e a segunda é se é um processo inclusivo”, afirmou.
Segundo ela, a maior parte dos benefícios desse fluxo se concentra na América do Norte e no leste da Ásia.



