A australiana Lynas Rare Earths anunciou um acordo de aproximadamente R$ 3,5 bilhões para comprar a Meteoric Resources, responsável pelo Projeto Caldeira, de terras raras, no sul de Minas Gerais. A operação prevê a aquisição de 100% das ações da mineradora e ainda precisa de aprovações regulatórias e dos acionistas.
O pagamento será feito integralmente em ações. Com a conclusão do negócio, os acionistas da Meteoric deverão ficar com cerca de 5,9% da companhia combinada. A votação está prevista para janeiro de 2027.
O Projeto Caldeira tem áreas nos municípios de Andradas, Caldas e Poços de Caldas. A Meteoric concluiu recentemente o estudo de viabilidade do empreendimento, mas ainda precisa obter licenças ambientais para construir e operar a mina.
Produção e investimento previstos
O estudo estima investimento de US$ 498 milhões (R$ 2,6 bilhões) para desenvolver o projeto. O plano considera uma operação de 23 anos, com produção média anual de 12,5 mil toneladas de óxidos de terras raras.
As empresas afirmam que Caldeira concentra o maior recurso mineral conhecido de óxidos de terras raras em argilas iônicas fora da China. Os recursos estimados incluem aproximadamente 802 mil toneladas de neodímio e praseodímio e 41 mil toneladas de disprósio e térbio.
Segundo a Lynas, a incorporação do ativo elevará em 79% seus recursos minerais e em 26% suas reservas de minério. A companhia opera na Austrália e na Malásia e avalia desenvolver no Brasil atividades de separação de terras raras, uma etapa industrial diferente da extração e da produção de concentrado. Até o momento, não há compromisso formal para construir uma unidade de separação no país.
As terras raras reúnem 17 elementos químicos usados em aplicações industriais. Alguns são empregados na fabricação de ímãs de alto desempenho para motores de carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.
Aprovações e política mineral
O governo brasileiro foi informado previamente sobre a negociação, em uma interlocução que envolveu a Casa Civil da Presidência da República. A compra ocorre duas semanas após Luiz Inácio Lula da Silva sancionar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
A nova lei, sancionada em 16 de setembro, criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce), vinculado à Presidência da República. O colegiado pode homologar mudanças diretas ou indiretas de controle de empresas titulares de direitos minerários relacionados a esses materiais, conforme a regulamentação.
A conclusão do acordo depende da aprovação dos acionistas da Meteoric e de autorizações aplicáveis na Austrália e no Brasil. O projeto também está sujeito ao licenciamento ambiental necessário para sua implantação.
A Meteoric informou ainda que enviou amostras de Caldeira à canadense Ucore Rare Metals para testes. A empresa afirmou que o memorando não é vinculante e que não há contrato ou compromisso de venda ou fornecimento. As avaliações, segundo a Meteoric, são técnicas e não definem o destino futuro da produção.



