São Paulo, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,22 · Euro R$ 5,92 · Ibovespa 183.828 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

Proibição de bets pode levar R$ 25 bilhões anuais a sites ilegais

Estimativa da H2 Gambling Capital considera a migração de cerca de 60% da receita bruta do mercado regulado.

Proibição de bets pode levar R$ 25 bilhões anuais a sites ilegais
Foto: Folhapress

A proibição das apostas online assinada pelo presidente Lula na última sexta-feira (25) pode deslocar cerca de R$ 25 bilhões por ano do mercado regulado para plataformas ilegais, estima a consultoria britânica H2 Gambling Capital, especializada em dados do setor de jogos.

As casas autorizadas movimentavam o equivalente a cerca de R$ 40 bilhões anuais em receita bruta de jogo. Esse indicador corresponde à diferença entre o total apostado e o valor pago em prêmios. A H2 calcula que aproximadamente 60% desse montante continuará sendo apostado, mas em sites sem autorização, sem tributação e sem mecanismos de proteção ao jogador.

A faixa projetada para a migração varia de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões. O resultado, segundo a consultoria, dependerá principalmente da capacidade de bloquear os pagamentos para plataformas no exterior e da duração da proibição diante de contestações jurídicas e políticas.

Medida provisória e reação do setor

A medida provisória proíbe transferências por Pix ou TED para empresas cujo CNAE esteja associado a apostas online. Como medida provisória, a proibição vale por 120 dias e precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para se tornar lei e continuar válida.

As associações do setor procuram apoio em frentes parlamentares ligadas ao centrão. Nesta segunda-feira (28), a ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) solicitou ao STF (Supremo Tribunal Federal) a suspensão do texto que proibiu o funcionamento das bets no país.

Desde 2024, o governo vendeu 85 autorizações por R$ 30 milhões cada, com validade de cinco anos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que esse dinheiro não será devolvido às empresas de apostas.

Mesmo com a proibição, a H2 avalia que o mercado provavelmente será reaberto em algum momento de 2027, tanto para apostas esportivas quanto para cassino online.

Projeção para o mercado clandestino

A consultoria afirma que cerca de 30% das apostas já eram feitas em sites sem licença antes da proibição. Nesse cenário, o mercado ilegal passaria de R$ 17 bilhões para R$ 42 bilhões. Em outra hipótese, que considera 41% das apostas em plataformas ilegais — percentual mais citado em estudos do mercado brasileiro e considerado superestimado pela H2 —, o avanço seria de R$ 28 bilhões para R$ 53 bilhões.

Nas duas simulações, o aumento é de R$ 25 bilhões. O valor de R$ 42 bilhões projetado para o mercado sem regulação se aproxima dos R$ 41 bilhões que circulavam por operadores sem licença em 2024, antes da regulação implementada pelo governo Lula.

A H2 baseou sua análise em uma pesquisa com 2.451 apostadores brasileiros, realizada em novembro de 2025. Mesmo depois da regulamentação, 39% dos entrevistados ainda usavam sites sem licença, e esse grupo respondia por cerca de 60% do gasto declarado.

“Para esses jogadores, a proibição elimina apenas a opção licenciada; suas contas em plataformas offshore e rotas de pagamento já existem”, afirma a consultoria.

A H2 também comparou o cenário brasileiro ao da Holanda. Quando o país aumentou impostos e adotou limites obrigatórios de depósitos no fim de 2024, cerca de metade da retração do mercado regulado reapareceu em sites estrangeiros. Para a consultoria, a proibição total deixa o apostador diante de duas opções: parar de jogar ou migrar para plataformas no exterior, levando consigo seus gastos habituais.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.