LONDRES — A Nvidia aprovou um novo programa de recompra de ações no valor de US$ 150 bilhões (R$ 782 bilhões), o maior já anunciado por uma empresa dos Estados Unidos. Com a autorização, a fabricante de chips poderá gastar até US$ 235 bilhões (R$ 1,22 trilhão) em recompras até janeiro de 2028.
A decisão foi comunicada nesta segunda-feira (28) pelo conselho de administração. O novo valor supera o recorde anterior da Apple, de US$ 110 bilhões (R$ 571 bilhões), estabelecido em 2024.
A Nvidia continua registrando lucros elevados com a demanda por infraestrutura de inteligência artificial. Os chips da empresa são usados em grandes modelos de linguagem que alimentam ferramentas como ChatGPT, Claude e Gemini. O Goldman Sachs estima que os investimentos em IA superarão US$ 1 trilhão (R$ 5,21 trilhões) neste ano.
As ações da companhia acumulam alta de mais de 1.200% desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022. Em 2026, porém, o avanço perdeu força: os papéis subiram cerca de 20% no acumulado do ano, enquanto investidores passaram a questionar a sustentabilidade do crescimento relacionado à inteligência artificial. Antes da abertura do mercado nesta segunda-feira (28), as ações chegaram a subir 3%.
Jensen Huang, cofundador e presidente-executivo da Nvidia, disse nesta segunda (29) que a recompra demonstra “confiança na oportunidade de longo prazo” associada à inteligência artificial. Segundo ele, a geração de caixa permite à empresa investir em tecnologias e devolver capital aos acionistas.
Crescimento e projeções financeiras
A receita da Nvidia deve crescer cerca de 90% neste ano. OpenAI, Anthropic e SpaceX estão entre os grandes clientes da fabricante, enquanto o Google também compra seus produtos por meio da unidade de computação em nuvem, apesar de manter uma linha própria de chips para IA.
No último ano fiscal, encerrado em janeiro, a empresa gerou quase US$ 100 bilhões (R$ 5,21 bilhões) em fluxo de caixa livre. Estimativas de consenso da Visible Alpha, da S&P Global, indicam que o valor pode mais que triplicar, chegando a US$ 329 bilhões (R$ 1,71 trilhão) no ano fiscal de 2028.
A projeção para o lucro líquido é de US$ 245 bilhões (R$ 1,28 trilhão) no atual ano fiscal. No ano fiscal seguinte, encerrado em janeiro de 2028, a estimativa é de US$ 387 bilhões (R$ 2,02 trilhões).



