NAIROBI — A Organização das Nações Unidas recebeu cerca de US$ 40 milhões dos US$ 202 milhões solicitados para preparar 22 países de alto risco para crises alimentares associadas ao El Niño. O valor corresponde a apenas 20% do total pedido pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Os recursos foram solicitados em junho para apoiar quase 9 milhões de pessoas. Convertido para reais, o pedido equivale a R$ 1,05 bilhão, enquanto o montante recebido corresponde a R$ 207,7 milhões.
Países sob risco
O El Niño, fenômeno natural de aquecimento, deve atingir seu pico entre outubro e dezembro e pode ser o episódio mais forte já registrado. As secas e inundações previstas tendem a atingir com maior intensidade países que já enfrentam níveis graves de insegurança alimentar.
Mais da metade dos 22 países classificados como de maior risco está na África. Os demais ficam na Ásia e no Pacífico, na América Latina e no Caribe. Na Somália, milhões de pessoas já enfrentam níveis elevados de fome, e a desnutrição aguda entre crianças deve piorar com a chegada do fenômeno.
Rein Paulsen, diretor de Emergências e Resiliência da FAO, afirmou que os alertas antecipados permitem identificar medidas para reduzir o impacto de inundações e secas, mas que a falta de recursos limita a execução dessas ações. “o financiamento é um desafio real que limita nossa capacidade de fazer o que sabemos que pode reduzir e minimizar o impacto de inundações ou secas”, disse.
Paulsen também afirmou que o valor solicitado é baixo em comparação com os padrões internacionais e que o financiamento antecipado pode evitar uma resposta humanitária mais cara caso os impactos previstos se concretizem.
Projeções científicas divulgadas na quarta-feira (23) estimaram que o episódio atual de El Niño poderá provocar 451 mil mortes adicionais no mundo até fevereiro, com a elevação das temperaturas.
Na Somália, seis milhões de pessoas enfrentam níveis críticos de fome, segundo o Conselho Norueguês para Refugiados. Mais de 700 mil pessoas foram deslocadas neste ano, sendo 500 mil por causa da seca.



